Inadimplência cresce e endividamento de consumidores de BH bate recorde em outubro

Bernardo Estillac
bernardo.leal@hojeemdia.com.br
08/11/2021 às 16:04.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:12

O endividamento dos moradores de Belo Horizonte chegou a 88,6% em outubro e atingiu a maior taxa desde 2014. O dado são de uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (8) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG). O levantamento feito em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)  também aponta aumento na inadimplência, que registrou 38,8%, maior marca do ano.

Desde janeiro de 2021, o número de consumidores endividados em BH cresceu mais de 20%, com aumentos mensais consecutivos. A pesquisa ainda revela que 16,5% das famílias não terão condições de quitar suas dívidas no próximo mês. Os dados foram obtidos a partir da consulta feita com cerca de mil moradores economicamente ativos na cidade.

A realidade econômica do país é avaliada como fator central para o cenário apontado pelo estudo. “Um dos motivos principais para essa situação é o aumento da inflação, que afeta bens essenciais como comida, combustíveis e energia e as famílias procuram cada vez mais o crédito para seu consumo básico”, afirma Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG.

“O achatamento da renda por causa da inflação e do índice de desemprego em patamares alarmantes também são fatores. Embora o desemprego tenha diminuído nos últimos meses, isso acontece porque muitos trabalhadores estão em serviços informais, o que quase sempre representa um achatamento de salário. Além disso, temos o fim do auxílio emergencial, que neste ano já foi menor do que em 2020”, conclui.

Endividamento x inadimplência
A pesquisa considera um consumidor endividado quando ele faz uso de qualquer forma de crédito para o pagamento de um bem ou serviço. Portanto, qualquer transação que não seja debitada instantaneamente configura endividamento. A inadimplência acontece quando não há condições para o pagamento das despesas contraídas nessas operações.

“O endividamento aumentando não é necessariamente ruim, significa que as pessoas estão tendo acesso ao crédito. No entanto, a inadimplência vem aumentando e este sim é um fator preocupante”, explica Martins.   

Segundo a economista, é preciso ter cuidado com os gastos para que as dívidas não se tornem uma parcela significativa do orçamento familiar. Em BH, 21,5% dos consumidores têm mais da metade da renda comprometida com dívidas. “Este é um nível alarmante, porque as pessoas têm que ter uma renda de subsistência para pagar contas de energia, aluguel, impostos”.
 

Cartão de Crédito
O cartão de crédito é o líder disparado na lista de dívidas em Belo Horizonte, com mais de 81% dos consumidores utilizando essa forma de pagamento. Carnês são o segundo tipo mais citado, com 24,7%; seguido por cheque especial, com 8,8% e financiamento de carro, com 7,8%.

“As pessoas recorrem ao cartão de crédito pela facilidade de comprar bens básicos. Ele se torna um vilão a partir do momento em que a pessoa não consegue pagar. No momento em que o consumidor cai na ‘pegadinha’ de pagar só o mínimo da fatura, no próximo mês ela virá acrescida do valor não pago anteriormente e da taxa de juros e aí vira a famosa ‘bola de neve’ com juros atrás de juros”, comenta Gabriela Martins.

Atualmente, os juros cobrados em dívidas por cartão de crédito são dos mais altos do mercado. De acordo com  Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa anual é de 310,99%.


Cenário do futuro
Desde janeiro deste ano, o percentual de endividamento dos consumidores de Belo Horizonte aumentou em todos os meses. De acordo com Martins, são traçadas duas possibilidades distintas para o futuro.

“São duas vertentes: a primeira é que esse endividamento continue subindo porque a inflação está consumindo a renda da família e, além disso, teremos as datas comemorativas começando pela Black Friday até o Natal. A segunda é que o 13º salário ajude a reduzir o endividamento”, avalia.

Uma pesquisa divulgada pelo Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) no último mês revela que moradores de BH priorizarão o pagamento de dívidas e contas atrasadas com o 13% salário. No entanto, mais de 52% das pessoas que responderam a pesquisa afirmaram não receber o valor adicional ou benefício similar.

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