Mesmo em queda, os índices que monitoram a pandemia da Covid-19 em Belo Horizonte ainda causam preocupação. A possível reabertura das atividades não essenciais na cidade é tratada com cautela. Especialistas já reforçaram que o atual cenário é considerado o “pior momento” desde o início da circulação do novo coronavírus. Nesta quarta-feira (14), membros do Comitê de Enfrentamento à doença se reúnem com o prefeito Alexandre Kalil para avaliar uma flexibilização.

O recuo, porém, está atrelado a alguns fatores. Atualmente, apenas um dos índices de monitoramento está em nível verde, segundo dados do boletim epidemiológico divulgado nessa segunda-feira (12). O número médio de transmissão por infectado (RT) está em 0,89, o que significa que, em média, cada 100 doentes contaminam 89 pessoas. O ideal é que o RT fique sempre abaixo de 1 para indicar que o contágio está em queda.

“Estamos melhorando os parâmetros, é verdade. Nosso Rt caiu, a ocupação caiu, mas ainda estamos em um nível muito alto. Se formos comparar com o pior momento do ano passado, em julho, ainda estamos 100 casos acima do que tínhamos no mesmo período. É claro que piorou, agora estamos em uma crise administrável, mas ainda estamos em um momento muito crítico. Nossa incidência está 470 casos por 100 mil habitantes. Nunca esteve tão alto”, disse o infectologista e membro do comitê, Unaí Tupinambás.

Em entrevista ao Hoje em Dia, o médico se mostrou preocupado e considerou que BH e o país ainda vivem o pior momento da pandemia. Por isso, o especialista acredita que a reabertura não deveria ocorrer.

“A nossa fila de espera já diminuiu bastante, está mais administrada. Nossa taxa de ocupação está caindo, felizmente, mas no SUS está entre 95% e 96%, o que é muito alto ainda. No meu ponto de vista, não falo pelo comitê, não é o momento de abrir porque nós temos uma incidência de novos casos muito alta. Ao meu ver, acho que a gente deve continuar nessa restrição de mobilidade aqui em Belo Horizonte por mais tempo. Talvez, mais uma semana para reavaliar como vai ser o cenário”, afirmou.

Hoje, um dos principais problemas enfrentados na capital mineira é a taxa de ocupação de leitos. Por semanas, a cidade enfrentou filas de espera por atendimento. A taxa geral de uso de unidades de terapia intensiva na rede SUS e suplementar está em 88,1% e aparece em vermelho no gráfico, em estado de alerta máximo. Nas enfermarias, está em 69,6%, no amarelo.

“A situação do Brasil é muito grave. Nós vamos bater 500 mil mortes talvez em meados de maio e BH não é uma ilha. Então, a gente passa pelo pior momento da pandemia. Nós temos que acelerar a vacinação e só a vacinação não vai dar conta. Temos que ter vacinação junto com medidas de contenção, como evitar aglomeração e usar a máscara de proteção”, concluiu.

“Abril vai ser ainda pior”

As novas cepas, que estão em circulação em Belo Horizonte e no Brasil, também preocupam o infectologista. A situação esperada para abril, segundo Unaí Tupinambás, pode ser ainda pior do que foi vista no mês passado.

“O que nós temos hoje é que, com essa nova variante e facilidade de transmissão, mais pessoas novas estão em CTIs. O cenário é outro. O mês de abril no Brasil vai ser ainda pior que março. Nós não somos uma ilha, parece até que é um outro vírus que está circulando com essas mutações todas que ele está apresentando. Então, é um momento de muita cautela. Temos que continuar mantendo todas as medidas e evitar aglomerações”, avaliou.

Cidade fechada

Belo Horizonte decidiu pelo fechamento do comércio e dos serviços considerados não essenciais em 6 de março. Além disso, no dia 23 do mesmo mês, proibiu o funcionamento, aos domingos, de supermercados, padarias, sacolões, lanchonetes, açougues e do Mercado Central.

Com as medidas, bares e restaurantes (exceto para delivery), cinemas, feiras, escolas, lojas de vestuário, academias, eventos e parques não podem funcionar em quaisquer dias da semana como forma de frear o avanço da contaminação por Covid-19.

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