Minas Gerais tem 55 casos de sarampo em investigação, sendo que três deles "muito provavelmente serão confirmados", segundo informou a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em boletim divulgado nesta quinta-feira (22). Os três casos são de moradores dos municípios de Viçosa, na Zona da Mata; Uberlândia, no Triângulo Mineiro; e Passos, no Sul de Minas; que apresentaram sintomas compatíveis com a suspeita, tiveram contato com pessoas de São Paulo e já possuem os exames iniciais reagentes. Segundo a SES, para a confirmação faltam algumas etapas da investigação e protocolos que impedem a classificação até o momento. 

O levantamento mostra ainda que, desde o início de 2019, foram notificados 221 casos suspeitos de sarampo provenientes de 78 municípios mineiros. Desses, 162 já foram descartados e 4 foram confirmados.

O alerta contra o sarampo é cada vez maior em Minas, onde os índices de vacinação seguem abaixo da meta. E o temor de que o surto se espalhe levou o Ministério da Saúde a recomendar a imunização de todas as crianças menores de 1 ano. A aplicação da chamada “dose zero” começou nesta quinta. Cerca de 130 mil bebês devem receber a vacina no território mineiro.

Nessa quarta-feira (21), um protocolo de segurança precisou ser acionado na UPA Centro-Sul de BH. A entrada de um paciente, de 30 anos, que tinha chegado recentemente de São Paulo, interrompeu os atendimentos na unidade por cinco horas. Acolhimentos foram suspensos e os profissionais precisaram imunizar os pacientes.

Segundo a SES, o caso ainda não consta neste boletim. "Assim que tomou conhecimento do caso, a SES-MG iniciou as ações de controle que competem ao Estado. O Centro de Informações Estratégias de Vigilância em Saúde da SES-MG (CIEVS Minas) está em contato com o Ministério da Saúde e Anvisa para fazer o levantamento dos dados dos passageiros que estiveram no mesmo voo e, assim, orientar a realização das ações de bloqueio vacinal. Além disso, o município de Belo Horizonte também já está mobilizado para realização do bloqueio de forma seletiva com a vacina tríplice viral em pessoas que estiveram próximas ao caso suspeito", informou em documento. 

O paciente permanece internado no Hospital Eduardo de Menezes, estável clinicamente.

Casos confirmados

O primeiro caso confirmado é de um italiano, residente em Betim, com história de viagem recente à Croácia e à Itália nos meses de dezembro de 2018 e janeiro de 2019. O genótipo identificado na amostra do italiano foi o D8, que está distante geneticamente dos casos de D8 identificados nos demais surtos de 2018 no Brasil. Sendo assim, esse caso é considerado importado. O segundo caso confirmado é de um adulto jovem, de 25 anos, sem comprovante vacinal, residente em Contagem, na Região Metropolitana, e que saiu de Trindade (PE) no final de janeiro. O genótipo identificado na amostra foi o D8, com características do genótipo do italiano. 

Já o terceiro é de uma criança de uma ano, vacinada em novembro de 2018 e moradora de Belo Horizonte. Ela teve deslocamento para a cidade de Carmópolis de Minas e para a casa da avó, em Contagem, no período de incubação da doença. O caso está possivelmente relacionado aos anteriores, de acordo com o período de transmissibilidade. A mesma hipótese também é levantada em relação ao quarto caso, o de uma adolescente, de13 anos, portadora de Lúpus, moradora da capital. Ela esteve em Porto Seguro (BA) e Almenara (MG) em janeiro. 

Em todos os casos, a Secretaria informa que  bloqueio vacinal foi realizado, contribuindo para a interrupção da cadeia de transmissão e não aparecimento de casos secundários.

No país

O sarampo se espalha pelo país. Na última pesquisa, onze unidades da federação apresentavam transmissão ativa do vírus do sarampo: São Paulo, Rio, Pernambuco, Bahia, Paraná, Goiás, Maranhão, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Sergipe e Piauí. Em três meses, foram confirmadas 1.680 infecções, a maior parte delas em São Paulo (1.662).

Sobre a doença

O sarampo é uma doença viral, infecciosa aguda, grave, transmissível, altamente contagiosa e comum na infância. A doença começa inicialmente com febre, manchas avermelhadas pelo corpo, sintomas respiratórios e oculares. Também incluem tosse, coriza, rinite aguda, conjuntivite, fotofobia (aversão à luz) e manchas de koplik (pequenos pontos esbranquiçados presentes na mucosa oral). 

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa por meio de secreções presentes na fala, tosse, espirros ou até mesmo respiração. Na presença de pessoas não imunizadas ou que nunca apresentaram sarampo, a doença pode se manter em níveis endêmicos, produzindo epidemias recorrentes.

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