O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que a cervejaria Backer segue interditada até que seja possível descartar qualquer risco para a produção de cervejas no local. Na tarde desta terça-feira (28), técnicos do Mapa estiveram na fábrica, no bairro Olhos D´água, região Oeste de BH, para autorizar o descarte da cerveja apreendida nos tanques da fábrica.

Os funcionários do ministério também recolheram novas amostras para perícias. Os lacres dos tanques foram retirados e os produtos sem contaminantes foram liberados, a pedido da empresa, que pretende utilizar os 472 mil litros de cerveja que ficaram retidos nos tanques para produzir aproximadamente 28,3 mil litros de álcool, que serão doados para instituições de saúde pública para o combate ao coronavírus.

Já os produtos contaminados serão descartados por uma empresa especializada contratada para fazer a coleta e destinação desses resíduos. 

O Mapa informou ainda que a apuração sobre a contaminação da cerveja por monoetilenoglicol e dietilenoglicol prosseguem, mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19.

A empresa confirmou que apenas um dos 70 tanques de produção continua sob investigação. Outros três seguem lacrados pois receberam o líquido que estava armazenado no tanque ainda sob análise. Após o esvaziamento desses tanques, a cervejaria vai passar por um "completo processo de esterilização, testagem e certificação de todos os processos de produção por técnicos do próprio Mapa, inclusive com adoção de protocolos que hoje não fazem parte dos requisitos de segurança do setor", disse a cervejaria em nota.

Todos os bens da Backer estão bloqueados pela Justiça desde março, com finalidade de atender as despesas médicas dos pacientes vítimas da intoxicação pelo dietilenoglicol.

Após mais de 90 dias de investigações, cerca de 60 pessoas já foram ouvidas pela Polícia Civil no inquérito que apura a morte de sete pessoas. Sobre a liberação dos tanques, a PC informou "que não interfere na questão de produção cervejeira da fábrica, o objetivo é a investigação de possível conduta criminal". 

Veja a nota da Backer na íntegra

A Backer aguarda a conclusão das investigações, mas avalia que a liberação da maior parte da fábrica é um sinal importante, pois mostra que o problema ocorrido foi isolado e que não houve contaminação da linha de produção. Toda a fábrica será esterilizada, testada e certificada pelo Ministério da Agricultura antes de voltar a produzir. A Backer vai rever integralmente seus processos, inclusive com adoção de protocolos que hoje não fazem parte dos requisitos de segurança do setor. A perspectiva de retomada é importante principalmente para devolver a tranquilidade aos 180 profissionais que dependem do trabalho na cervejaria.