A partida que foi marcada pelo primeiro rebaixamento da história do Cruzeiro e, também, pela violência que tomou conta das arquibancadas e do lado de fora do Mineirão, será alvo de apuração por parte do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Nesta segunda-feira (9), o órgão anunciou que acompanha os trabalhos dos órgãos de segurança do Estado e que "adotará todas as medidas cabíveis para responsabilizar cível e criminalmente todos os envolvidos". 

Ainda segundo a nota divulgada, se comprovada a participação nos episódios deste domingo (8), as torcidas organizadas também poderão ser responsabilizadas. Conforme divulgado na manhã desta segunda pela administradora do estádio, o prejuízo decorrentes dos atos de vandalismo pode ultrapassar a verba arrecadada pelo clube com a partida.

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Prejuízo do vandalismo praticado no estádio pode ultrapassar a renda obtida pelo time com a partida

A instituição destacou que vem atuando de forma preventiva para tentar coibir a violência nos estádios mineiros. "Neste ano, torcidas organizadas do Cruzeiro foram suspensas e impedidas de frequentar os jogos. No último sábado, o MPMG obteve decisão judicial para que o jogo de domingo, considerado de alto risco pelos órgãos de segurança, fosse realizado com a presença de torcida única. A não adoção dessa medida, provavelmente, resultaria em danos ainda maiores às pessoas presentes e ao patrimônio", completou.

O órgão ainda lamentou o fato de um evento esportivo, "que representa uma parte importante da cultura do nosso país e de nosso estado", tenha sido usado por uma parcela dos presentes na partida para disseminar o ódio e a violência.

Os promotores reforçaram ainda que continuarão atuando de maneira firme, seja preventivamente ou por meio da responsabilização de criminosos. O objetivo dessa atuação seria garantir "ao verdadeiro torcedor a possibilidade de ir ao estádio em um ambiente livre de violência", concluiu.

Entenda 

O jogo entre Cruzeiro e Palmeiras, válido pela última rodada do Campeonato Brasileiro, aconteceu na tarde de domingo no Mineirão, em Belo Horizonte. A partida, que precisou ser encerrada antes mesmo do fim do segundo tempo, terminou com o rebaixamento do time celeste para a Série B e acabou marcada por brigas entre torcedores, cadeiras e outros objetos sendo atirados em campo, depredação do estádio, bombas de gás lacrimogênio e dezenas de pessoas passando mal e saindo feridas durante a confusão.

O posto médico que fica dentro do estádio informou que 32 pessoas foram atendidas durante a partida. De acordo com a Polícia Militar, três feridos foram encaminhados para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na capital, mas sem gravidade. No entanto, a unidade de saúde afirmou que 13 pessoas deram entrada após a confusão no Mineirão.

Outros três suspeitos foram detidos. O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, tenente-coronel Juliano Trant, disse que os detidos foram por suspeita de envolvimento nas ocorrências de briga e quebradeira. Em seu perfil oficial no Instagram, o Mineirão lamentou o que chamou de vandalismo. "Ver um clube mineiro rebaixado é muito ruim. Mas hoje, o mais dolorido foi ver alguns torcedores apaixonados, que costumam vibrar nas minhas arquibancadas, se transformarem em vândalos".

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