Motoristas de aplicativo fizeram nova manifestação na manhã desta terça-feira (5), em Belo Horizonte, pedindo mais segurança após um latrocínio. O motorista Anderson Alves Coelho, de 27 anos, morreu em 31 de dezembro. O protesto ocorre pelo segundo dia consecutivo na capital. 

O grupo se concentrou na Praça do Papa, na região Centro-Sul. Depois, seguiu em carreata pela avenida Cristiano Machado e MG-010, até a Cidade Administrativa, sede do governo de Minas.

Os carros estavam com adesivos com as palavras “luto” e “justiça”. “Cobramos justiça para que esse crime não fique impune. Tivemos informações que a audiência de custódia dos suspeitos será entre hoje e pedimos que essa justiça seja feita para que não tenhamos outros casos. Queremos segurança para que a gente minimize essas ações que estão acontecendo com motoristas”, avaliou o presidente da Frente de Apoio Nacional dos Motoristas Autônomos (Fanma), Paulo Xavier.

Após a manifestação, representantes do grupo foram recebidos na sede do governo pelo secretário-geral Mateus Simões e pelo chefe do Estado-Maior da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Eduardo Felisberto Alves. Projetos para melhoria na segurança e discussão sobre a violência sofrida pelos motoristas estavam em pauta.

“O que a gente espera é construir um projeto para melhorar a segurança preventiva. Nessa reunião foi dado o pontapé para que isso seja construído em parceria entre as plataformas, os motoristas, o governo e a PM. Viemos para apresentar projetos e ideias que podem ser trabalhados para minimizar a violência”, disse Paulo Xavier.

Além das questões ligadas à atuação preventiva e reativa da PM, também foi apresentada a possibilidade de identificação dos veículos de aplicativo. Um novo encontro será realizado na próxima semana, para encaminhamento e avaliação das sugestões do Governo Estadual, da Polícia Militar e da própria comissão. As informações foram repassadas pela assessoria do governo de Minas.

Ainda de acordo com o comunicado, a PM reforçou o compromisso com a segurança dos motoristas, dos passageiros e da população em geral durante a reunião. De janeiro a novembro, de 2020, houve queda de 33,3% nos crimes violentos, o melhor resultado em criminalidade dos últimos nove anos. Esse percentual representa a ocorrência de menos 21.194 mil crimes violentos em relação a 2019.

Procurada, a empresa 99 informou, em nota, que “está aberta ao diálogo com motoristas e poder público para construir soluções benéficas que aumentem a segurança dos usuários em Minas Gerais”.

O Hoje Em Dia também procurou a plataforma Uber, que informou, em nota, que está “sempre buscando, por meio da tecnologia, fazer da sua plataforma a mais segura possível, de uma forma escalável”, e que foi anunciada, recentemente, a introdução da checagem de documentos de usuários. “Com isso, usuários que optarem por pagar sua primeira viagem em dinheiro, sem fornecer dados do meio de pagamento digital (cartão de crédito ou débito), precisarão fornecer um documento de identidade, como RG ou CNH”. 

O crime

O motorista Anderson Alves Coelho foi morto na véspera de Ano Novo. O corpo foi encontrado no sábado (2), em uma mata na avenida Antônio Mamede, que liga o Morro Alto ao Bela Vista, em Vespasiano, na Grande BH. O carro dele foi localizado na rua H, no bairro Novo Horizonte, também na cidade.

Ele estava desaparecido desde quinta-feira (31). O último contato com os parentes foi feito por volta de 23h. Desde então, não tiveram mais notícias do jovem, que era morador de Confins, também na região metropolitana.

Dois homens, de 18 e 19 anos, foram presos suspeitos de participação no latrocínio. Segundo a Polícia Militar, eles pediram uma corrida pelo aplicativo e o motorista deveria pegá-los no mesmo bairro onde vivem. Eles entraram no veículo, um Palio, e já teriam anunciado o assalto, pegando celular e dinheiro. Em seguida, levaram Anderson para um local ermo e o mataram.

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