Com mais de 19 mil casos de Covid-19 confirmados só nos últimos sete dias, Minas Gerais entra em alerta com a proximidade do Natal. A preocupação é com as possíveis aglomerações em confraternizações. Apesar de as autoridades descartarem uma segunda onda por aqui, fato é que o número de infectados tem subido nas últimas semanas.

Por outro lado, lojistas estão animados para o período e prometem promoções para atrair a clientela. Em Belo Horizonte, 70% dos consumidores pretendem comprar até três presentes com preço médio de R$ 95, aponta pesquisa da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH). 

Atualmente, a positividade dos exames RT-PRC feitos na rede pública de saúde no Estado é de 31% – uma das maiores durante a pandemia. Em julho, quando foi registrado o pico da doença, esse índice chegou a bater a casa dos 35%.

Chama a atenção, ainda, o número de novos contaminados informado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), de 4.635, é o segundo maior, em 24 horas, desde o início da pandemia. O recorde é de 26 de junho, quando a pasta contabilizou 6.122 registros em um só dia - na época, muitos notificações estavam desatualizadas no sistema. 

Para frear o avanço do novo coronavírus, o titular da SES, Carlos Eduardo Amaral, aposta na conscientização por parte da própria população. Durante entrevista coletiva, ontem, ele avaliou que a alta na incidência do vírus em Minas foi causada por uma série de fatores, como as viagens nos feriados prolongados, em setembro e outubro, e as eleições realizadas no mês passado.

Agora, a poucos dias das festas de fim de ano, o secretário pede cautela e reforço nas medidas de contenção. “É importante ter distanciamento. Não tem problema você viajar, ir para um hotel, ficar em um quarto e manter o distanciamento, tomar os cuidados necessários. Mas não é o momento adequado de ir para um encontro de família com 150 pessoas”, disse.

Se o contágio permanecer em crescimento, mais localidades mineiras poderão ser afetadas com o fechamento do comércio. Até ontem, quatro regiões foram obrigadas a regredir para a fase mais restritiva do programa Minas Consciente, que orienta a retomada das atividades econômicas.
Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano frisa que a medida é alternativa para reduzir a circulação de pessoas e, consequentemente, a propagação do vírus. “É uma proteção ao indivíduo para não se infectar e para dar um alívio no sistema de saúde”, explica o médico.

Além disso:

Até ontem, conforme o titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Carlos Eduardo Amaral, a ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) com pacientes de Covid-19 era de 65%. De enfermaria, 68%.

Apesar da alta na demanda por internações graves, o secretário descartou a retomada do Hospital de Campanha. “A característica dele era de leitos clínicos, e esses temos 5 mil disponíveis”, explicou Amaral, afirmando que a pandemia esta razoavelmente controlada.

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado ontem, 428.790 mineiros testaram positivo para a doença. São 10.187 mortes.

O secretário garantiu que o Estado acompanha os locais onde se percebe pressão no sistema de saúde por causa do aumento dos casos. 
No caso de Governador Valadares, no Leste de Minas, onde se vem registrando 100% da capacidade nos hospitais privados há mais de 15 dias, uma reunião foi feita com os gestores locais nesta semana. Quem não consegue atendimento na rede particular segue para as unidades de saúde pública. Na última terça-feira, a ocupação na terapia intensiva do SUS chegou a 84,5%.

Leia também:
Taxa de ocupação de leitos para Covid-19 passa dos 45% em BH e taxa de transmissão segue em alta
Mais de meio milhão de mineiros têm títulos cancelados por falta de recadastramento biométrico
Grupo de médicos pede retorno seguro das aulas presenciais: 'prolongamento pode causar sérios danos'