A primeira nem acabou, mas o risco de uma segunda onda de Covid-19 é real em Belo Horizonte. O aumento do nível médio de transmissão, o chamado Rt, há pelo menos nove dias, pode levar a mais internações nos hospitais. Desde a última sexta-feira, o número de pacientes em UTIs apresenta ligeiro crescimento.

Ontem, o Rt chegou a 1,12 na capital, contra 0,99 em 9 de novembro. No atual cenário, cada cem infectados estão transmitindo o novo coronavírus para outras 112 pessoas.

O índice em BH é maior que a média nacional. Conforme o Imperial College, no Brasil a taxa, ontem, subiu para 1,10. No último dia 10 era 0,68.

O momento é de alerta, destaca o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano. Segundo ele, a população deve reforçar as medidas de prevenção. “A situação é perigosa em todo o mundo. Se a gente não superar o cansaço emocional, podemos ter uma segunda onda muito violenta”, frisou.

Avaliando o intervalo entre a primeira e a segunda ondas nos países da Europa e nos Estados Unidos, que novamente já vivem aumento expressivo de doentes, o Brasil pode ter problemas em até seis meses. “Ou antes, porque não sabemos os fatores exatos relacionados ao que está acontecendo na Europa, que pode ser um vírus mutante e que já pode estar circulando por aqui”, enfatizou o infectologista, que também atua no Hospital Madre Teresa.

Soma de indicadores

Diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de BH (SMSA), Lúcia Paixão, durante live no jornal Hoje em Dia, reconhece que o momento é de alerta, mas ressaltou que a cidade nem saiu da primeira onda. 

A gestora diz que a classificação “segunda onda” só será chancelada se o aumento do Rt for acompanhado de sobrecarga nas internações de pacientes graves com Covid. “Quando se vê uma curva aumentando, isso é o que temos que temer, para que as pessoas se cuidem e cuidem das outras”.

Conforme boletim divulgado ontem pela prefeitura, 33,5% dos leitos de UTI exclusivos para o tratamento da doença estão ocupados. Na sexta-feira eram 30,4%.

“Se os números aumentam hoje, significa que amanhã teremos UTIs mais cheias e a mortalidade aumentando. E, aumentando, vai ter mais rigidez, porque precisamos proteger a vida das pessoas”, comentou Estevão Urbano após reunião do Comitê de Enfrentamento à Covid da capital, realizada ontem</CF>

Em nota, a SMSA informou que, nos últimos meses, o Rt apresenta ciclo de aumento e redução quase que semanalmente. “Qualquer agravamento que comprometa a capacidade de atendimento será tratado da forma devida, com o objetivo de preservar vidas”. A pasta disse que, havendo necessidade, há possibilidade de ampliar a quantidade de leitos exclusivos para pacientes infectados.

(*) Com Marina Proton

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