Além dos estragos causados em ruas, avenidas e nas casas de vários moradores de Belo Horizonte, as chuvas que atingem a capital acendem o alerta para o aumento de casos da dengue. O mês de outubro já é histórico pela quantidade e intensidade de água em BH, e com isso aumenta muito a possibilidade de focos de água parada se espalharem.

O último balanço da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), divulgado na sexta-feira (15), aponta 848 moradores testados positivos para a doença em 2021. Ainda há 343 exames pendentes de confirmação e outros 4.437 que foram investigados e descartados.

A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que também pode causa chikungunya e zika.

No levantamento da SMSA, março foi o mês com maior número de novos casos de dengue - 215. O período corresponde justamente à transição entre o verão e o outono, marcada por chuvas em todo o Brasil. Com o objetivo de evitar números expressivos novamente, o Executivo mantém a rotina de vistorias e aplicação de biolarvicidas nos imóveis. Um levantamento do município mostra que foram realizadas mais de três milhões de visitas neste ano. 

Casos mensais de dengue BH 2021

Março foi o mês com mais registros de Dengue em BH neste ano

Quanto à zika, foram notificados oito casos em moradores de BH em 2021, porém todos foram investigados e descartados. A chikungunya, por sua vez, teve 55 registros até agora, dos quais 47 foram confirmados.

Para o subsecretário de Vigilância e Promoção à Saúde de BH, Fabiano Pimenta, a chegada de mais um período chuvoso é o momento de reforçar também as medidas preventivas. "Agora, com as chuvas, é o momento de reforçar as medidas preventivas para não termos um aumento neste número. Para que em 2022 as doenças como dengue, chikungunya e zika permaneçam sob controle, os cuidados precisam ser redobrados a partir de agora”, explica.

Outra ação da prefeitura, criada para auxiliar no direcionamento do combate ao mosquito, é o Levantamento de Índice Rápido de Infestações por Aedes Aegypti (LIRAa). A previsão de finalização é até a primeira quinzena de novembro. O objetivo do estudo é identificar as áreas da cidade com mais detecções de focos do mosquito e os criadouros predominantes. 

A Secretaria Municipal de Saúde ainda mantém a aplicação de inseticida a Ultra Baixo Volume (UBV) para o combate a mosquitos em áreas com casos suspeitos de transmissão local. Em 2021, foram realizadas ações com uso UBV em cerca de 7 mil imóveis, segundo a PBH. “O produto tem o objetivo de eliminar o mosquito em sua fase adulta, em que o vírus pode ser transmitido. A aplicação é realizada com equipamentos especiais e o trabalho ocorre, de preferência, pela manhã ou no final da tarde”, informa o subsecretário.

Belo Horizonte também dá sequência nas liberações progressivas dos mosquitos com Wolbachia em todas as regiões do município. O método é complementar às ações de controle e prevenção da dengue, zika e chikungunya e envolve um microrganismo intracelular que não pode ser transmitido para humanos ou animais. 

Mosquitos que carregam esse microrganismo têm a capacidade reduzida na transmissão das arboviroses, diminuindo o risco de surtos dessas doenças e também da e febre amarela. Segundo a PBH, esse método não envolve qualquer modificação genética do vetor Aedes aegypti

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