O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, afirmou que "indignação" é a palavra que define a decisão do prefeito Alexandre Kalil (PSD) em recuar à fase zero de flexibilização e anunciar que apenas os serviços essenciais vão poder funcionar na capital a partir da próxima segunda-feira (29).

"Se existe alguém que se sacrificou para salvar vidas em Belo Horizonte, este alguém é o nosso comércio. Não tem comerciante fazendo churrasco nem caminhando em pista de cooper sem máscaras. Não tem comerciante permitindo aglomeração em seus estabelecimentos. Com raríssimas exceções, todos estão cumprindo os protocolos", lamentou Silva.

Ainda de acordo com o representante dos comerciantes, a maioria dos estabelecimentos fechados há 80 dias fazem o “impossível” para manter os negócios e garantir empregos. Mas muitos bares, restaurantes, lojas de vestuários e comércios que ficam em shoppings e galerias não reabrirão mais. “Em nenhum lugar do mundo aconteceu isso. Muitos já não vão voltar. Centenas de empresas já fecharam suas portas definitivamente e milhares de empregos já foram perdidos", explicou.

Marcelo Silva também discorda que o aumento do número de casos de Covid-19 estaria vinculado à reabertura do setor. “Na minha opinião, não é verdade. Há dois meses os especialistas do Brasil inteiro avisaram que, independente da abertura do comércio, em junho haveria um aumento do número de casos”, argumentou.

Comércio BH
Movimento de pessoas no shopping Oiapoque nesta sexta-feira (26)

Belo Horizonte teve recorde de mortes nessa quinta-feira (25), de acordo com boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde. Foram novos 14 óbitos em 24 horas, totalizando 118 pacientes mortos pela Covid-19 na capital. O número de casos confirmados já chega a 5.195. Já a taxa de ocupação de leitos está próxima de 90%.

O presidente da CDL ainda questionou a motivação do recuo na reabertura do comércio, que teria sido o aumento da ocupação de leitos. “A prefeitura anunciou no dia 29 de maio que poderia abrir imediatamente mais 1.500 leitos na cidade. Onde estão esses leitos? Por que que não abriu? É esse o motivo da nossa indignação. É mais uma vez o comércio pagando o preço da falta de gestão dessa crise”, finalizou.

Assista ao vídeo do presidente da CDL-BH sobre o fechamento das lojas em BH:

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que se reuniu com representantes de entidades comerciais, incluindo a CDL/BH, e do Legislativo e dialogou com os comerciantes, acatando propostas e sugestões para o retorno das atividades. "A prefeitura vem também conversando de forma intensa com o Sindlojas, que representa dezenas de milhares de lojistas na capital. Também elaborou, em conjunto com o grupo, as fases de reabertura (comércio) e os setores que seriam incluídos em cada uma delas".

Ainda de acordo com o comunicado, após essas definições, o grupo encerrou seus trabalhos para que o Comitê de Retomada pudesse discutir soluções com representantes de outras atividades econômicas. "Cabe esclarecer que as fases de reabertura já foram construídas, mas a sua efetivação (datas, manutenção, avanço ou retrocesso) depende do resultado dos indicadores epidemiológicos (índice de transmissão e taxa de ocupação de leitos de UTI e de Enfermaria para Covid-19)".

Veja o que é considerado "serviço essencial" e poderá continuar funcionando a partir da próxima segunda

5h às 21h:

- Padaria

5h às 17h

- Comércio atacadista da cadeia de atividades do comércio varejista da fase de controle

- 7h às 21h:

- Comércio varejista de laticínios e frios

- Açougue e Peixaria 

- Hortifrutigranjeiros 

- Minimercados, mercearias e armazéns 

- Supermercados e hipermercados

- Tintas, solventes e materiais para pintura

- Material elétrico e hidráulico, vidros e ferragem

- Madeireira

- Material de construção em geral

Sem restrição de horário:

- Artigos farmacêuticos 

- Comércio varejista de artigos de óptica 

- Artigos médicos e ortopédicos 

- Combustíveis para veículos automotores

- Comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP)

- Agências bancárias: instituições de crédito, seguro, capitalização, comércio e administração de valores imobiliários

- Casas lotéricas

- Agências dos Correios e telégrafo

- Comércio de medicamentos para animais

- Atividades industriais

- Restaurantes (delivery ou retirada na porta)

- Banca de jornais e revistas