Se na semana passada o clima era de domingo em toda Belo Horizonte, com boa parte do comércio fechado e movimentação menor nas ruas por conta da Covid-19, ontem a situação era diferente. Vários estabelecimentos foram reabertos e até ambulantes voltaram aos pontos onde frequentemente vendem produtos.

A mudança no comportamento acontece um dia após a confirmação da primeira morte pelo novo coronavírus em Minas. Trata-se de uma moradora da capital, de 82 anos, que estava internada em um hospital de Nova Lima, na Grande BH. 

O secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, disse ontem que a confirmação da primeira morte em Minas não será motivo para que o governo desista do estudo anunciado semana passada pelo governo Romeu Zema, sobre a possibilidade de flexibilizar o retorno de algumas atividades.

O isolamento social é aposta para evitar casos do tipo. Inclusive, estudo realizado pela UFMG indica que, se esse distanciamento não for mantido, o número de doentes graves, que vão precisar de internação, irá chegar a 90 mil até 25 de abril só na metrópole.

Na capital são 7 mil leitos, nas redes pública e privada. Na sexta-feira, 800 vagas – cem delas para atendimento de alta complexidade – devem ser abertas no hospital provisório em construção pelo governo no Expominas, Oeste de BH.

Para evitar o aumento significativo de pacientes e colapso na saúde, o prefeito Alexandre Kalil disse ontem, em entrevista à TV Globo, que estuda endurecer o isolamento. Quem descumprir o decreto em vigor no município, incluindo turistas, pode ser considerado criminoso.

“A curva (do contágio por coronavírus) vem numa crescente não exponencial, crescente razoável até agora (em BH). Se a desobediência continuar, isso vai virar um verdadeiro caos numa cidade de quase três milhões de habitantes”, justificou o chefe do Executivo. 

Os decretos estadual e municipal que disciplinam o funcionamento do comércio em BH proíbem atividades com potencial de aglomeração de pessoas, como boates, shoppings, academias e galerias de lojas. Bares, restaurantes e lanchonetes podem atender ao público sem que haja consumo nos locais. 
Mas, norma editada pelo Estado permite que outros estabelecimentos funcionam se adotarem medidas como revezamento na escala de funcionários e acesso à higienização adequada.