O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), chamou de 'egoístas e irresponsáveis' os manifestantes que fizeram carreatas na cidade pedindo a reabertura do comércio e afirmou que, na capital, não haverá afrouxamento do isolamento. Segundo ele, o grupo que descumpre o decreto, incluindo pessoas que passeiam pela cidade, poderá ser enquadrado como criminoso. As declarações foram dadas nesta segunda-feira (30), em entrevista à TV Globo, quando ele também anunciou mais R$ 20 milhões para compra de cestas básicas para a população de vilas e favelas. Também nesta data, estabelecimentos reabriram na cidade.

Em sua fala, Kalil afirmou que BH foi a primeira cidade do país a adotar medidas duras contra o contágio à Covid-19. Segundo ele, situação que é uma vantagem em relação aos outros e que não pode ser perdida. Por essa razão, criticou os manifestantes 'com caminhonete de cabine dupla e camisinha de Seleção Brasileira' que pedem o isolamento vertical (aquele em que apenas os grupos de risco ficam isolados). Segundo ele, isso pode provocar "um grande número de mortes" em BH.

"A curva (do contágio por coronavírus) vem numa crescente não-exponencial, crescente razoável até agora (em BH). Porque se a desobediência continuar, isso vai virar um verdadeiro caos numa cidade de quase três milhões de habitantes. Esses que botam camisinha de Seleção Brasileira e bandeirinha pendurada nas costas não passam de egoístas, irresponsáveis, que não sabem ler a leitura básica da realidade do mundo hoje", declarou.

A irresponsabilidade, para Kalil, estaria no fato de que, segundo o prefeito, houve uma mutação no coronavírus que agora mata "gente com 26, com 30, com 40 anos". Para ele, 80% dos jovens que estão passeando em praças ou em carreata, se forem contaminados, entrariam e saíriam de um Centro de Tratamento Intensivo (CTI) com vida, mas ao fazê-lo, estariam matando um homem de 60 anos.

"Toda vez que você vê um casal passeando na orla da Pampulha, você tem aquele olhar assim: esse é um egoísta, que só olha para o próprio umbigo. Esses fazem mal a BH. Só pensam neles", disse.

Medidas mais duras

Além dos manifestantes, Kalil direcionou sua crítica a pessoas e casais que têm sido vistos passeando na Lagoa da Pampulha, na Praça do Papa e JK. Segundo o gestor municipal, os passeios e os protestos são ações de desobediência à pandemia e, portanto, crimes. Por essa razão, Kalil informou que a Procuradoria Geral do Município foi acionada para definir regras mais rígidas de isolamento social. "Nós vamos enquadrá-los como criminosos", pontuou.

"Esses egoístas, que saem à toa na rua, para caminhar ou protestar, quebrando leis, com egoísmo, (agem) com falta de patriotismo. Patriota é o trabalhador da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), da Polícia Militar, dos Bombeiros e Guarda Municipal. É quem tá trabalhando na rua e pedindo para você ficar em casa", disse.

Procurada, a PBH informou que, de 20 de março até este domingo (29), a Guarda Municipal, que neste período de pandemia, trabalha exclusivamente na verificação do cumprimento do decreto municipal, já realizou 2.364 visitas a estabelecimentos comerciais da capital. Em nenhum dos casos, porém, houve autuação, já que os comerciantes atenderam às orientações dos agentes e fecharam as portas ou adequaram os espaços quanto às determinações do documento.

Quanto a pessoas passeando pelas ruas, a Guarda informou que tem atuado de forma educativa na abordagem desses cidadãos. Em relação às carreatas, a PBH informou que aplicou 50 multas, na última sexta-feira (27), a veículos que apresentaram infrações por estarem em desconformidade com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). 

Por fim, a prefeitura relembrou que o cidadão pode denunciar estabelecimentos que estiverem funcionando em desacordo ao decreto. A denúncia pode ser feita pelo telefone 156 ou pelo Fale com a Ouvidoria.

Sem chance de afrouxar

Na entrevista à emissora de TV, Kalil também reafirmou que não pretende afrouxar o isolamento em Belo Horizonte. Na última sexta-feira, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), declarou que o Governo de Minas iniciará um estudo sobre a possibilidade de afrouxamento da quarentena em algumas regiões do Estado. Kalil explicou que, em respeito à hierarquia e caso seja chamado, irá conversar com Zema, mas não adotará o método na capital mineira.

"Se o governador conversar com a (Secretaria de Estado de) Saúde, ela é unânime (sobre não afrouxar). BH não vai afrouxar. BH não tem a menor condição de fechar nada. Isso aqui é um aglomerado de gente, nós temos pobres. Nós temos preocupação é com essa gente também, não é com caminhonete de cabine dupla, com bandeira amarela, passeando na rua. Tem gente sofrendo e sofrendo muito", disse.

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