Em assembleia realizada nesta sexta-feira (30), os trabalhadores em Educação da capital mineira decidiram pela manutenção da greve sanitária, deflagrada pelo Sindicato dos trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede) na última segunda (26).

Em nota, a categoria alegou falta de segurança para o retorno às aulas presenciais. "Não existem condições das escolas funcionarem com segurança pelos altos índices de contaminados, mortes e contaminação que existem hoje. Além disso não há equipamentos adequados, muitas escolas estão em obras, há inconsistências entre os protocolos e as orientações para funcionamento das escolas. Não existe testagem, muitas escolas estão em obras, para os trabalhadores terceirizados a situação é mais caótica, sequer as pessoas de grupo de risco estão resguardadas".

Após 13 meses de atividades suspensas por conta da pandemia do novo coronavírus, professores e servidores foram convocados para retomar ao trabalho presencial, de forma escalonada desde a última segunda-feira. Já as crianças de 0 a 5 anos poderão voltar em 3 de maio. Para isso a prefeitura publicou as regras que as escolas deverão seguir durante as aulas presenciais.

Mas para a diretora do sindicato, Vanessa Portugal, independentemente desses protocolos, não se pode ignorar que há um descontrole da panemia na capital, assim como boa parte do país. "Não existe condições de garantir que as vão cumprir as regras de segurança, que vão conseguir usar máscara por quase cinco horas e que não vai haver contato entre eles", explicou.

Ainda segundo Vanessa, o próprio Comitê de combate à Covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte mudou a orientação mesmo com o aparecimento de variantes do vírus. "Em declarações feitas em outros momentos, não era seguro esse retorno com o aparecimento de novas cepas, com capacidade maior de afetar as crianças".

Ela cita ainda problemas como a falta de estrutura das escolas para cumprir o protocolo, de programação, de alimentação e até mesmo de máscaras adequadas para o trabalho. 

Na segunda-feira (3), está marcado um ato simbólico na porta da prefeitura, às 9h, em defesa da vida dos trabalhadores concursados e terceirizados. "A situação dos terceirizados é ainda pior, são funcionários da portaria, limpeza, cozinha e apoio ao educando que foram convocados para esse retorno e são pessoas grávidas, idosos e do grupo de risco", concluiu Vanessa.

Segundo o Sind-Rede, nessa semana, a adesão à greve sanitária foi de cerca de 70% dos trabalhadores.

Em nota, a Secretaria de Educação de Belo Horizonte informou que respeita a posição da entidade sindical, "entretanto a decisão de adesão é de cada servidor". E que só será possível avaliar a efetiva adesão dos professores ao longo da próxima semana com o retorno das crianças.

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