O Sindicato dos Trabalhadores de Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH) fizeram uma carreata em protesto contra a volta às aulas em Belo Horizonte, neste domingo (20). A entidade é contrária à pressão para o retorno às aulas, pois acredita que isso pode elevar os números de contaminações não só de estudante, mas também de familiares pelo coronavírus.

A pressão pela volta das atividades escolares aumentou desde que o Colégio Tiradentes da Polícia Militar em Belo Horizonte, decidiu retomar as aulas a partir desta segunda-feira (21). No entanto, a Justiça Federal acolheu requerimento do Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas no Serviço Público Federal em Minas Gerais (Sindsep-MG) e suspendeu o retorno. 

E mesmo sem um plano de retorno por parte da prefeitura e do governo estadual, a entidade resolveu ir às ruas neste domingo. A concentração teve início na Praça da Estação, por volta das 9h, e o cortejo motorizado circulou a avenida do Contorno. O objetivo foi alertar a população de que ainda não é momento para um retorno às aulas, uma vez que a pandemia ainda não está controlada. 

"Não somos contra ao retorno das aulas, mas entendemos que hoje ela representaria um risco muito grande para o aumento de casos dos estudantes e suas famílias. A situação da pandemia em Minas Gerais está longe de estar controlada. E pesquisas indicam que o retorno aumentaria o número de casos", aponta a diretora do Sind-Rede/BH Cláudia Lopes da Costa.

Números em BH

Hoje, Belo Horizonte está com a taxa de transmissão em 0,99%, segundo a Secretaria Municipal de Educação. A capital mineira anota 39.321 casos positivos para a doença e soma 1.160 óbitos, de acordo com o boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, na sexta-feira (18). O Sind-Rede acredita que o retorno irá intensificar a ação do vírus em BH. 

"As relações de crianças e adolescentes nas escolas são muito próximas. É impossível para os profissionais controlarem efetivamente. Mesmo com os protocolos de segurança, é uma grande dificuldade. Até mesmo o uso da máscara é difícil de ser fiscalizado. As escolas não têm nenhum tipo de adaptação. Na maioria, as salas de aula são pequenas e a proximidade dos alunos é muito grande. Além disso, a simples ida e volta de papéis para a casa é algo preocupante. Por isso, acreditamos que não seria possível um retorno nesse momento", explica a diretora.

Circulação

Segundo a entidade, é sabido que com a volta dos pais aos trabalho, as dificuldades com quem deixar os filhos aumenta. E nesse cenário, a escola sempre cumpria esse papel. Mas o sindicato acredita que ainda não é o momento, mesmo sabendo de como o isolamento tem sido prejudicial para os estudantes.

"Com a abertura do comércio, já tivemos um aumento da circulação de pessoas. Com a volta das escolas, teremos ainda mais superlotação no transporte público. Claro que em relação a questões pedagógica de socialização, a escola tem fator essencial e sabemos que temos tidos grandes prejuízos. Mas precisamos entender que vidas não são recuperáveis", aponta Cláudia.