O cerco aos motoristas que ainda não pagaram o licenciamento de 2019 aumentou na capital. Em um mês, a média diária de remoção de veículos sem o imposto quitado cresceu 30%. A infração é gravíssima e, além do reboque, o condutor flagrado é punido com sete pontos na carteira e multa de R$ 293. Na metrópole, existem 158 mil automóveis com pendências na documentação deste ano.

Só em agosto – quando o certificado passou a ser exigido para carros com placas de final 1, 2, 3, 4 e 5 – e nos dois primeiros dias de setembro, 60 veículos foram recolhidos a cada 24 horas. Antes, no primeiro semestre, a média era de 47 apreensões. Os números são do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG).

Nesta terça-feira (3), a equipe de reportagem do Hoje em Dia acompanhou uma blitz do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran), na avenida Silva Lobo, zona Oeste de BH. Em três horas de fiscalização, 12 automóveis foram rebocados – todos sem o Certificado de Registro e Licenciamento (CRLV) 2019.

As principais pendências para garantir o licenciamento são a não quitação da taxa, do seguro obrigatório, de multas e do IPVA

Agora, já está na mira dos agentes carros e motos com final de placa de 6 a 0. A cobrança para esses começou no último domingo. De acordo com o sargento Marco dos Santos Gonçalves, o BPTran realiza cerca de 15 operações por dia. As ações acontecem em trechos considerados estratégicos da cidade. 

As irregularidades, no entanto, não se resumem à não quitação do imposto de 2019. “Percebemos que muitos veículos apreendidos já estão bastante tempo sem o licenciamento. Em alguns casos, há mais de cinco anos”, informou o militar.

Em Belo Horizonte, segundo o Batalhão de Trânsito da PM, cerca de 15 blitze têm sido realizadas a cada dia. Os dados disponibilizados pelo Detran indicam que 1.967 carros foram apreendidos, de 1° de agosto a 2 de setembro, por não pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)

Valores

Nos casos em que o automóvel é apreendido, o proprietário precisa pagar as taxas de licenciamento, a multa, o guincho e a diária do pátio. Somando os valores da infração, reboque e permanência na área credenciada – por um dia –, o motorista de um carro de passeio desembolsa R$ 534. Já um motociclista, R$ 440.

Consultora especializada em finanças, Emanuella de Oliveira aconselha as pessoas a quitar o débito o quanto antes, mesmo que de forma parcelada. “Se houver a possibilidade de pagamento à vista, é mais interessante. Mas, ficando inadimplente, essa dívida pode ficar impagável com os custos da multa e apreensão”, ressalta. 

O motorista flagrado em um carro sem a documentação em dia comete infração gravíssima. O condutor recebe sete pontos na habilitação e multa de R$ 293. Além disso, o automóvel é rebocado

Parcelamento de multas

Recentemente, o Hoje em Dia mostrou ser possível parcelar multas de trânsito em Minas pela internet. O sistema permite quitar infrações e IPVA, licenciamento e Dpvat em até 12 vezes, inclusive por meio de um aplicativo.

Porém, a mesma reportagem alerta que, apesar da praticidade, as taxas de juros podem ultrapassar 5% ao mês e quase dobrar o valor inicial da dívida. Em duas simulações feitas, uma autuação de R$ 1.453, parcelada em dez vezes, teve aumento de 32%, chegando a R$ 1.983,50. Já outro débito de R$ 2.245,71, dividido em 12 vezes, sofreu uma alteração de 90%, passando para R$ 4.257, 19.

239 mil automóveis não estão com licenciamento em dia há mais de cinco anos em BH

Desde 2018, o Detran credenciou nove empresas para atuar com esse tipo de serviço em endereços fixos. Além dos pagamentos on-line, em Minas são mais de cem postos físicos disponíveis para parcelamento de multas, impostos e outros débitos incidentes sobre veículos. 

O órgão de trânsito informou que “os custos da operação variam conforme a opção de parcelamento escolhida pelo cidadão, e que ele será informado no momento da transação sobre os valores”.

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