Faltando pouco mais de dois meses para o fim do ano, a volta dos alunos às salas de aula em Minas pode se tornar obrigatória ainda em 2021. A possibilidade está sendo discutida pelo governo estadual diante do avanço da vacinação contra a Covid. No entanto, famílias que não levaram os filhos para as escolas reclamam, cobrando imunização completa com duas doses antes do retorno. 

Atualmente, os pais têm a opção de manter os filhos no aprendizado remoto. O assunto também divide opiniões entre os profissionais da educação. Instituições particulares garantem que os espaços estão prontos. Já professores e funcionários são contra.

O tema ganhou destaque após o governo de São Paulo anunciar a medida. No território mineiro, o secretário de Saúde Fábio Baccheretti admitiu a possibilidade de mudança ontem. O gestor ponderou, porém, que a medida não valeria para alunos dos grupos de risco, com doenças crônicas.

“Existem algumas ponderações. Para esses estudantes, talvez o risco ainda neste momento seja maior ao retorno da aula. Mas a ideia das secretarias de Saúde e Educação é que a gente consiga sim, de forma segura, retornar com todas as atividades presenciais nas escolas de Minas”, afirmou. 

Recentemente, um novo protocolo divulgado autorizou o retorno de 100% dos estudantes aos colégios. 

Embate

A servidora pública Joana Carvalho, de Santa Luzia, na Grande BH, garante que não irá mandar a filha Patricia, de 10 anos, para o ensino presencial este ano. A menina estuda em um colégio da capital. “A faixa etária dela nem pode receber a vacina. Acho muito arriscado”. Pelas redes sociais, muitos pais também criticam a medida.

Presidente do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro- MG), Valéria Morato disse que a categoria entende que as aulas remotas foram impostas pela situação da pandemia e que a educação “se faz de forma presencial”, mas, é preciso que os protocolos permaneçam.

“Estamos com os professores devidamente imunizados com a 2ª dose. Uma boa parte dos estudantes também já está com a primeira. Mas, mesmo com a vacinação, os protocolos ainda devem prevalecer. São necessários ambientes muito arejados e distanciamento como preconiza as normas sanitárias”. 

O diretor estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), Paulo Henrique Santos Fonseca, fez duras críticas à possibilidade. 

“É uma medida negacionista. Infelizmente, o vírus e a pandemia não acabam por decreto. É importante ouvir a ciência e a comunidade escolar, importante conhecer as escolas. Infelizmente, parece que o governo não conhece as escolas estaduais”.

No aguardo

Em nota, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) informou que as instituições estariam preparadas caso a mudança ocorra. A categoria disse, no entanto, que não comentaria o cenário, já que tem uma política de “só se pronunciar quando existe publicação em Diário Oficial ou, ao menos, quando o poder público, em entrevista, apresenta uma data quanto à implementação de qualquer ação”.

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