Em Belo Horizonte, pelo menos três variantes da Covid-19 já foram identificadas pela Fundação Oswaldo Cruz, informou, nesta sexta-feira (3), o médico Unaí Tupinambás, membro do Comitê de Enfrentamento à Pandemia da capital. Segundo a Fiocruz, elas são potencialmente mais transmissíveis e podem ter chegado à cidade por conta do avanço da doença no país. 

Segundo o infectologista, as cepas brasileiras P1 e P2 e a B.1.1.7, com origem no Reino Unido, já foram detectadas no município. De acordo com o especialista, nem todos os imunizantes atuais são capazes de combatê-las, o que as tornam mais perigosas.

“Podem escapar, às vezes, do efeito da vacina. Podem causar uma reinfecção, mas parece, e vamos precisar de mais um tempo para perceber isso, que podem ser mais grave, com letalidade maior”, afirmou.

A Fiocruz informou, nesta quinta (4), que dos oito estados avaliados pela fundação, apenas dois não tiveram prevalência da mutação associada às variantes superior a 50%: Minas, com 30,3%, e Alagoas, com 42,6%.  De acordo com Unaí, a B.1.351, da África do Sul, ainda não foi encontrada em Belo Horizonte, mas ele acredita que para isso é apenas uma questão de tempo.

Conforme a Fiocruz, a alta circulação de pessoas e o aumento da propagação do vírus Sars-CoV-2 têm favorecido o surgimento de mutações no Brasil. Os pesquisadores destacam como fundamental a adoção das medidas que possam reduzir a velocidade da propagação e o crescimento do número de casos, como a restrição da circulação e das atividades não essenciais e o fortalecimento do sistema de saúde.

Fechamento

Nesta sexta, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) anunciou que Belo Horizonte vai voltar à estaca zero para frear o avanço da Covid-19. De acordo com o boletim epidemiológico da prefeitura, a taxa de ocupação de UTIs chegou a 81% e desencadeou alerta máximo nas autoridades. Por isso, a partir das 14h deste sábado (6), apenas os serviços considerados essenciais terão autorização para funcionar. 

O índice de utilização das enfermeiras também cresceu nas últimas 24 horas, saltando de 60,8% para 61,9%. Já o número médio de transmissão segue em queda. Hoje, a capital atingiu 1,16, o que significa dizer que 100 contaminados transmitem para outras 116 pessoas. Até o momento, 116.419 belo-horizontinos já testaram positivo para a doença. Destes, 2.815 morreram por complicações do vírus.

Leia mais:

Kalil determina novo fechamento do comércio em BH: 'voltamos à estaca zero'
Ocupação de leitos de terapia intensiva chega a 81% em BH e capital terá novo lockdown