Um vídeo divulgado na manhã desta segunda-feira (21) registrou os momentos da decolagem e da queda de uma aeronave, no bairro Caiçara, na região Noroeste de Belo Horizonte, deixando três pessoas mortas e três feridas. Nas imagens da câmera do "Clima ao Vivo" do Aeroporto Carlos Prates, é possível ver que o avião caiu 21 segundos após a decolagem. Ele saiu exatamente às 8:14:03 e a queda foi às 8:14:24. 

 

O acidente aconteceu  no cruzamento das ruas Minerva com Rosinha Sigaud, próximo ao Aeroporto Carlos Prates. Os destroços ficaram espalhados na rua e uma densa fumaça escura tomou conta da região.

Desde 8 horas da manhã, bombeiros trabalham no resgate dos corpos e das vítimas. Equipes da BHTrans também isolaram vários quarteirões da rua Minerva, já que fios energizados estão caídos na via. A perícia da Polícia Civil também acompanha os trabalhos. 

Queda de aviãoClique para ampliar

O chefe do Estado Maior, Erlon Botelho, informou que a aeronave, que tinha capacidade para transportar quatro pessoas (três passageiros e o piloto), caiu pouco depois de decolar do aeroporto Carlos Prates. Conforme o militar, um dos tripulantes morreu carbonizado. Dos outros mortos, um estava em um dos automóveis incendiados e um era pedestre que passava na rua no momento da queda.

O piloto e outros dois tripulantes foram socorridos com vida e encaminhados para o Hospital João XXII. 

Piloto aciona paraquedas 

O paraquedas visto nas imagens do acidente de avião não foi usado por um tripulante. Técnicos do Aeroclube que fica no Aeroporto Carlos Prates explicaram que o dispositivo tem a finalidade de segurar o próprio avião e, provavelmente, foi acionado pelo piloto ao ver algum problema, mas não funcionou devido à baixa altitude em que o avião estava.

Segundo a instituição, o avião que caiu é um Cirrus SR20 e não faz parte do quadro da empresa, tendo estado apenas estacionado durante a noite no aeroporto. A assessoria do Aeroclube conversou com a reportagem e destacou que a Cirrus é uma das aeronaves mais seguras do mercado e um dos fatores que confere a ela esse título é o paraquedas chamado de balístico, usado para pousar o avião em segurança em caso de emergência.

Embora tenha reiterado que a aeronave não tinha ligação com a empresa, a assessoria do aeroclube afirmou que analisou as imagens das câmeras de segurança antes do avião decolar e confirmou que todos que embarcaram eram pilotos.

Licença

No registro da aeronave no site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), não há autorização para que ela operasse na modalidade táxi aéreo.

O registro aponta uma empresa de táxi aéreo como proprietária da aeronave, no entanto, a situação dela está ainda em atualização pela Anac, já que o avião foi vendido. A reportagem entrou em contato com a Helicon Táxi Aéreo, que consta como proprietária, mas os responsáveis informaram que a aeronave foi vendida em janeiro sem detalhar quem seria o novo proprietário.

Também no registro constante na Anac, o avião tem a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) válida até agosto de 2020 e o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) válido até 2022.

* Com Daniele Franco

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