Apenas questão de tempo. Essa é a opinião das autoridades de saúde sobre o aumento das notificações da variante Delta do coronavírus em Minas. Atualmente, são quatro casos confirmados, mas já existe, inclusive, o temor de um novo pico da pandemia. Em estados vizinhos, a cepa mais transmissível da Covid avança diariamente, o que reforça o alerta da necessidade de vacinação e cuidados para barrar o contágio. 

No Rio de Janeiro, 26% das infecções são de casos da variação originada na Índia. Na capital fluminense, a proporção é ainda maior: 45%. Já em São Paulo, o Instituto Butantan confirmou 50 diagnósticos entre os paulistanos. No Espírito Santo, as contaminações são tidas como inevitáveis pelo governo estadual.

Com a circulação nos territórios vizinhos, a Delta será registrada com mais frequência por aqui, garante o coordenador do Laboratório de Biologia Integrativa (LBI) da UFMG, o professor Renan Pedra. “Esses estados estão conectados com o nosso e não existe controle de fronteira estadual. As pessoas estão indo e vindo como querem”, avaliou o pesquisador.

Em Belo Horizonte, uma parceria entre a universidade e a prefeitura tem levado ao laboratório, semanalmente, 22 amostras para análise e caracterização de variantes. No mês passado, uma colaboração entre a Federal e o Executivo mineiro, por meio da Fundação Ezequiel Dias (Funed), foi firmada, o que vai elevar o total de análises para 140 por mês.

Foi no centro de pesquisa que os últimos casos da mutação indiana foram confirmados: dois adolescentes de Belo Horizonte. Os demais são de um morador de Juiz de Fora, na Zona da Mata, e de Virginópolis, no Vale do Rio Doce. 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) afirma realizar o monitoramento das notificações para conter a disseminação. Também houve a ampliação das ações de vigilância genômica e investigação laboratorial.

Conforme a Diretora Assistencial da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Lucinéia Carvalhais, os hospitais da rede estão preparados e podem atender os pacientes em um possível ápice de internações. “Temos capacidade de aumentar, de forma imediata, a nossa resposta dependendo da necessidade regional”, garantiu.

Vacinação
Em países que apresentaram surtos da nova versão do coronavírus, como EUA e Reino Unido, geralmente a população atingida é aquela que ainda não se protegeu.

Segundo Carlos Starling, membro do Comitê de Enfrentamento à Pandemia de BH, a população deve se imunizar, principalmente com o reforço. “Estamos correndo contra o tempo. Precisamos de duas doses o quanto antes para tentar fazer frente a essa cepa”.

Para a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a mutação é muito preocupante. Com a crescente disseminação nos Estados Unidos, assim como na maior parte da América Latina e do Caribe, a entidade afirma que os governos devem priorizar esforços de prevenção à doença, como o uso de máscaras, e acelerar o ritmo de aplicação das vacinas.

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