Em depoimento à CPI da Barragem de Brumadinho da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta segunda-feira (8), o funcionário da Vale Fernando Henrique Barbosa relatou que, sete meses antes do rompimento da barragem B1 da Mina do Córrego do Feijão, a mineradora já tinha conhecimento sobre o vazamento da lama da estrutura. Ele já havia relatado isso à CPI da Câmara dos Deputados que também investiga as causas da tragédia. 

Barbosa contou que seu pai, Olavo Coelho, experiente funcionário da mineradora que morreu no dia da tragédia, chegou a ser acionado em sua casa por colegas de trabalho que haviam ficado preocupados ao detectar o vazamento da lama da barragem por meio de uma área gramada. Barbosa esclareceu que seu pai não tinha formação técnica para verificar o problema, mas tinha uma experiência de quatro décadas na empresa.

Após verificar o vazamento, o pai de Barbosa alertou seus superiores de que a barragem corria risco de se romper. Olavo Coelho teria ficado tão preocupado que alertou ao filho que procurasse um lugar alto caso ouvisse o barulho de rompimento da barragem.

Após o aviso de Coelho, a Vale teria contratado uma empresa para fazer os reparos na drenagem. Barbosa contou também que não havia como as chefias não terem conhecimento sobre os problemas na barragem, pois todos os dados eram inseridos em um software chamado Geotec, onde eram inseridos todos os dados.

Procurada pela reportagem, a Vale afirmou que a Barragem I possuía todas as declarações de estabilidade aplicáveis e passava por constantes auditorias externas e independentes. “Havia inspeções quinzenais, reportadas à Agência Nacional de Mineração, sendo a última datada de 21/12/2018. A estrutura passou também por inspeções nos dias 8 e 22 de janeiro deste ano, com registro no sistema de monitoramento da Vale. Em nenhuma dessas inspeções foram detectadas anomalias que apontassem para um risco iminente de rompimento da barragem”, diz a mineradora.

Detonação

A CPI ouviu também Manoel Wilton Alves de Souza, funcionário da Vale que estava na Mina do Córrego do Feijão no dia da tragédia. Ele afirmou que não ouviu nem sentiu qualquer detonação na mina no período posterior ao rompimento.

O horário em que ocorreram essas detonações no dia do rompimento é um dos pontos divergentes nos depoimentos de diversas testemunhas. O mecânico de detonações Eiichi Pampulini Osawa afirmou à CPI que a detonação foi posterior ao rompimento e que teria feito um registro no celular para comprovar a ação. As autoridades verificam se as detonações na mina teriam contribuído para o rompimento da barragem.

A Vale afirmou que, no dia 25 de janeiro, antes do rompimento da barragem B1, não houve detonação nas minas do Córrego do Feijão e Jangada. Após a ruptura, por medida de segurança, foram realizadas duas detonações que já estavam programadas para ocorrer, em distância e com cargas seguras. As detonações foram mantidas com o objetivo de eliminar qualquer risco vinculado à presença de furos carregados de explosivos no complexo do Córrego do Feijão.

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