nova era do consumo

Delivery se consolida como porta de entrada para pratos e restaurantes

Gabriel Rezende
grezende@hojeemdia.com.br
29/06/2022 às 08:24.
Atualizado em 29/06/2022 às 11:06
Empresário aposta no delivery para trazer franquia paulista de massas em potes (Pasta Way / Reprodução)

Empresário aposta no delivery para trazer franquia paulista de massas em potes (Pasta Way / Reprodução)

Os consumidores adquiriram novos hábitos com a pandemia que vieram para ficar. A necessidade de ter de sair de casa para conhecer restaurantes e descobrir novos sabores, ficou menos atraente, diante da facilidade, cada vez maior, de encontrar opções rápidas e acessíveis, com um simples toque no celular.

E o desafio de quem quer empreender é inovar, trazendo experiências para o cliente que está mais exigente. Apostando na força do delivery, o empresário Alfo Castro se prepara para abrir, em Belo Horizonte, uma franquia da rede Pasta Way, fundada em São Paulo e que vende diversos tipos de opções culinárias.

Segundo o empresário, a proposta é reunir praticidade e conveniência em uma simpática apresentação: o “pote de felicidade''. Entre as opções, diversos tipos de massas, como nhoque, penne e fusilli. Também há sobremesas, como nhoque de leite ninho com creme de avelã. 

Para abrir o empreendimento, Alfo alugou uma dark kitchen, em um Hub, em Belo Horizonte. Esses condomínios comerciais abrigam vários restaurantes. Cada um tem a própria cozinha, mas compartilha a estrutura, como áreas de convivência e refeitórios para os funcionários. Montados em pontos estratégicos, os hubs otimizam os processos de preparo e entrega de refeições, reduzindo custos e dando mais rapidez.

(Smart Kitchens / Divulgação)

(Smart Kitchens / Divulgação)

"Tenho agilidade para iniciar o negócio. Um local seguro, estrutura pronta — sistema de exaustão, parte hidráulica, gás. Pelo fato também de não precisar de reforma, acabamento e decoração tudo se inicia mais rápido e com menor custo", destacou.

O empresário até pensa em investir em um modelo híbrido de negócio no futuro, com a abertura de um restaurante. Mas, por enquanto, aposta mesmo no menu virtual. "Existirá o modelo de loja física, mas o negócio terá foco maior no delivery", afirmou. 

A escolha da modalidade de entrega para apresentar um produto diferente no mercado está alinhada com os resultados da pesquisa do Instituto Qualibest, realizada com 1.200 pessoas, entre fevereiro e março deste ano. 61% dos entrevistados afirmaram que pedem comida por delivery, principalmente quando querem um prato que não sabem preparar.

E o que o levantamento também revelou e que surpreende é que 63% das pessoas ouvidas disseram que optam por ir a um restaurante pela primeira vez, só depois de já terem provado algum prato via delivery. Nos últimos dois anos, esse tipo de comportamento  cresceu entre os consumidores. Em 2020, 51% dos entrevistados usavam a experiência de entrega em casa como critério para visitar o local.

O modelo de dark kitchen não veio para acabar com os restaurantes, mas para ajudar a salvar o setor, um dos mais prejudicados com as medidas de isolamento que vigoraram no período mais crítico da pandemia. Sem clientes, muitos pequenos e microempreendedores  fecharam e outros se reinventaram sobrevivendo apenas de entregas, abrindo mão dos custos tradicionais de salão, mesas e garçons. 

(Reprodução)

(Reprodução)

Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG), em Belo Horizonte, neste ano, 84% dos restaurantes operam com delivery, sendo que 44% utilizam plataformas próprias e de terceiros (os aplicativos de entrega), 37% apenas plataformas de terceiros e 19% apenas plataformas próprias. 

Com a possibilidade de menor custo inicial e atendimento direcionado para o delivery, empreendedores encontram nas dark kitchens possibilidade de crescimento. Mas só a velha receita de fisgar o cliente pela boca já não basta para manter o negócio. É preciso inovar e oferecer uma experiência ao consumidor - seja a entrega rápida, frete barato e um preço honesto para fidelizar quem já conhece e conquistar novos clientes.

E, além disso, é preciso ter cuidado com a apresentação dos pedidos e caprichar nos pratos. “Restaurantes não vendem comida, vendem momento”, explica Daniel.

"O delivery não é simplesmente fazer o mesmo prato. Você precisa se preocupar com a embalagem, a logística de entrega", afirma. Segundo ele, os empresários devem se questionar: "Como será a apresentação na casa do cliente? Como estará o pedido daqui 30 minutos, que é o tempo de entrega? Qual embalagem vou usar?".

Neste sentido, ter unidades exclusivas para delivery - as dark kitchens, em pontos estratégicos -, ajuda os estabelecimentos a organizar o fluxo de preparo das refeições e a tornar mais ágil a entrega. "O delivery vai ocupar o lugar de se cozinhar em casa — os próprios prédios já são construídos com cozinhas muito pequenas", destaca. “ Cada vez mais a questão de cozinhar em casa será levada em consideração", conclui.

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