Doença

Especialista explica o que se sabe sobre a hepatite misteriosa que afeta crianças

Gabriel Rezende
grezende@hojeemdia.com.br
10/05/2022 às 20:13.
Atualizado em 10/05/2022 às 20:18
 (Reprodução / Hospital Israelita Albert Einstein)

(Reprodução / Hospital Israelita Albert Einstein)

Uma hepatite aguda que tem atingido crianças e tem causa desconhecida preocupa autoridades de saúde. Em Minas Gerais, há dois casos suspeitos notificados, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Os sintomas da condição são parecidos com hepatites causadas pelos vírus do tipo A, B, C D e E: coloração amarela, urina com cor escura, vômitos, diarreias e dor abdominal. Os estudos dessa nova hepatite, no entanto, não demonstraram ligação com os vírus já conhecidos e causadores da doença. 

“Se não conhecemos o agente, ainda não é possível constar como ela é adquirida”, explica o pediatra José Geraldo Leite Ribeiro. Com isso, atualmente, não há como falar sobre prevenção. O especialista conversou com a reportagem do Hoje em Dia e falou sobre o que se sabe sobre a doença até o momento. 

Por que atinge crianças?

“O termo hepatite significa uma inflamação do fígado. Geralmente, quando uma doença, seja infecciosa ou tóxica, afeta o fígado, chamamos de hepatite. Geralmente tem sinais iniciais parecidos. Só a investigação laboratorial nos dá a etiologia [a causa]. Neste caso atual, não conhecemos a etiologia. Sem saber a causa, difícil explicar por que ela está ocorrendo apenas em criança”, afirma. 

Segundo Ribeiro, é possível especular que apenas as crianças estão contraindo a doença, pois os adultos, devido à idade, podem ter tido contato com o “agente” causador. “Mas é apenas uma sugestão”, afirma. 

Existe ligação com a Covid-19?

“Os estudos iniciais afastam a causa pela Covid-19”, explica o especialista. Segundo ele, “a maioria das crianças diagnosticadas com a doença não havia testado positivo para Covid-19”.

Nesse sentido, uma possível relação com a vacina para a Covid-19 também é praticamente descartada. “Os primeiros casos foram detectados na Escócia, onde as crianças não foram vacinadas”, explicou o especialista. 

Qual o tratamento?

“Não existe um tratamento específico, já que o agente é desconhecido. Havendo uma agressão muito forte do fígado, ele entra em falência. E o que será feito é manter o paciente estável. Alguns casos chegaram a necessitar até de transporte hepático pelo acometimento do fígado”, completa o epidemiologista e mestre em infectologia. 

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