Instituto de Educação assina documento para pedir que agressor de adolescente permaneça preso

Daniele Franco
dfmoura@hojeemdia.com.br
15/11/2018 às 20:59.
Atualizado em 28/10/2021 às 01:51
 (Reprodução/Street View)

(Reprodução/Street View)

A diretoria do Instituto de Educação de Minas Gerais, escola estadual de Belo Horizonte onde um aluno de 17 anos foi agredido e gravemente ferido por outro aluno de 18 anos na manhã dessa quarta-feira (14), solicitou formalmente que o aluno agressor permaneça preso. 

O documento será apresentado na audiência de custódia do suspeito, marcada para esta sexta-feira (16), pela advogada da família da vítima, Adriana Eymar. Em entrevista ao Hoje em Dia, a advogada afirmou que os esforços de seu trabalho em conjunto com a promotoria de Justiça serão os de converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, o que, de acordo com ela, é pedido "pela garantia da instrução penal e para assegurar a ordem pública".

Na solicitação, assinada pela diretora Alexandra Aparecida Morais, a instituição justifica o pedido com o histórico de mau comportamento do agressor, que, segundo o documento, "tem dificuldades de obedecer regras e normas estabelecidas pela escola". Em uma das ocorrências, datada de 19 de setembro de 2018, e que também será apresentada na audiência de custódia, vê-se um relato de um episódio de agressividade, no qual o aluno matriculado no 2º ano do Ensino Médio, teria rasgado folhas de uma atividade reclamando de sua nota. "O aluno não tem compromisso com os estudos e é agressivo com as professoras. O vice-diretor comunicou ao pai que quando o aluno tiver comportamento agressivo novamente, principalmente com as professoras (mulheres) será chamada a polícia para fazer um boletim de ocorrência". DivulgaçãoEscola advertiu família do aluno sobre comportamento inadequado

O documento assinado pela diretoria ainda manifesta a indignação do corpo escolar com o ocorrido, que nunca teria sido presenciado por funcionários ou alunos. De acordo com a carta, a solicitação visa garantir a segurança dos outros alunos que estudam no Iemg e as testemunhas da agressão, que estaria apreensivos e amedrontados. "Nossa escola tem um jardim de entrada onde os alunos ficam expostos à invasão de pessoas (...) e, por isso, tememos que o aluno possa adentrar o espaço junto aos seus parceiros para agredir nossos alunos", finalizou o documento.

Para Adriana Eymar, a agressão foi uma clara tentativa de homicídio e deve ser tratada como tal. "A libertação dele é um risco para a vítima e para os alunos da escola, e eles estão se mobilizando também para estarem no Fórum e pedir que o agressor não seja solto", afirmou a advogada.

A ocorrência

O jovem de 17 anos foi agredido durante um jogo de futebol na quadra do Instituto. Segundo a Polícia Militar, o rapaz estava na quadra junto a outros colegas, incluindo o agressor, quando a confusão começou. Testemunhas contaram que um desentendimento levou o jovem mais velho a agredir a vítima, que tentou fugir mas foi perseguida e atingida por um chute nas costas. A força do golpe fez com que o jovem caísse sobre uma escada e cortasse a cabeça no degrau. Os colegas contaram que, ao perceber a gravidade da situação, o agressor também tentou ajudar, mas os colegas do jovem o levaram para a sala dos professores.

O adolescente foi atendido por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, segundo os socorristas, estava inconsciente e teve que ser entubado para chegar ao hospital. A PM informou que a vítima sofreu traumatismo craniano foi internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital João XXIII.

O adolescente agredido segue internado no Hospital João XXIII e, de acordo com o relatório médico preliminar ao qual o Hoje em Dia teve acesso, foi submetido a uma cirurgia para aliviar a pressão na cabeça. Adriana Eymar contou que uma parte da cabeça do jovem teve que ser retirada e inserida dentro da barriga dele. O procedimento, realizado em casos de traumatismos cranioencefálicos, é feito a fim de garantir que a parte inchada do cérebro expanda sem ser comprimida. Ainda segundo o laudo, o quadro neurológico do jovem é grave e com necessidade de suporte intensivo para controle da pressão intracraniana.

Adriana também contou que a vítima já passou por duas cirurgias e deve ser submetida à terceira ainda na noite desta quinta-feira (15).

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