Após o acidente aéreo que deixou quatro mortos, dois feridos e uma comunidade em pânico, a transferência do aeroporto Carlos Prates, na região Noroeste de Belo Horizonte, foi discutida em uma audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), na tarde desta quinta-feira (7).

No dia 21 de outubro, um avião de pequeno porte caiu no cruzamento da rua Minerva com Belmiro Braga, no bairro Caiçara, logo após decolar do aeroporto, instalado a pouco mais de 1 km do local do acidente. O avião atingiu a rede elétrica e explodiu após encontrar o solo, deixando quatro mortos e incendiando três carros que estavam na via. 

Veja as imagens do momento do acidente:

Moradores da região, que lotaram o plenário, denunciando a situação de insegurança vivida pela comunidade, propuseram a realização de uma consulta pública para avaliar a mudança. “O problema do aeroporto Carlos Prates não é falta de investimentos ou de segurança. O problema é a péssima localização. Ele está cercado pela avenida Pedro II, pelo Anel Rodoviário, por escolas e hospitais”, resumiu a professora Duda Salabert, moradora da região e representante da comunidade.

Empresários das escolas de aviação se solidarizaram com a angústia dos moradores, mas pediram atenção ao destino das escolas em caso de um possível fechamento. O advogado dos empresários, Sérgio Mourão, defendeu que esse tipo de aeroporto urbano existe em diversos lugares do mundo – como é o caso do aeroporto de Congonhas, na cidade de São Paulo (SP) – e a ocorrência de acidentes pontuais não seria motivo para fechar o equipamento. Para ele, a transferência apenas transferiria o risco para outro local, atuando sobre o sintoma e não sobre o problema. 

Entre os locais sugeridos para abrigar o aeroporto estão Cordisburgo, na região Central do Estado; Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte; e aeroporto da Pampulha, em BH. 

Presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário  e coautor do requerimento para a audiência, o vereador Wesley Autoescola (PRP) listou mais de 10 acidentes ocorridos na região desde a abertura do aeroporto em 1944, destacando que o volume e a frequência têm crescido desde os anos 2000, tendo sido dois acidentes já em 2019, em apenas seis meses.

Segundo a CMBH, os vereadores vão fazer uma visita técnica ao local para avaliar os impactos. 

Federalização do debate

Foi confirmada nova audiência pública sobre o tema, em âmbito federal, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), no próximo dia 26 de novembro, às 14h. O objetivo é reunir representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Infraero e Ministério da Infraestrutura, assim como representantes da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), da Câmara Municipal de Belo Horizonte e da Prefeitura de BH, junto à comunidade afetada. 

*Com informações da CMBH.

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