Os hotéis passam a ser considerados serviços essenciais em Minas Gerais, anunciou o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, nesta quinta-feira (28). Isso quer dizer que os estabelecimentos do setor de hotelaria podem funcionar, mas atendendo a uma lista de medidas de segurança para evitar a disseminação do novo coronavírus. A partir de agora, essas empresas constam da onda verde do programa Minas Consciente.

De acordo com Passalio, o setor hoteleiro vinha sendo relacionado ao turismo e, por isso, acreditava-se que sua reativação deveria acontecer quando a pandemia estivesse controlada. Mas uma demanda por hospedagens, especialmente para trabalhadores dos setores essenciais, fez com que o Estado revesse a necessidade de reabertura das empresas.

“Com o tempo, a população já foi aprendendo, criando uma consciência e cultura do isolamento. E isso é fundamental. Com essa nova consciência, foi possível fazer uma reanálise dos hotéis”, afirmou o secretário-adjunto. 

Embora o Governo de Minas passe a considerar a hotelaria como um serviço essencial, quem deve definir o funcionamento desse tipo de estabelecimento em nível municipal é o prefeito.

Em abril, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, seção Minas Gerais (ABIH-MG), registrou fechamento de 32% dos hotéis em Belo Horizonte e 65% dos mais de 3.900 estabelecimentos do setor em Minas. A estimativa, naquele mês, era que 4.500 funcionários fossem demitidos, sendo 1.800 deles na capital.

De acordo com o presidente da entidade, Guilherme Sanson, boa parte dos hotéis já estavam abertos, mas ainda não haviam recebido um direcionamento mais didático de como deveria ser o funcionamento no período de pandemia. Segundo ele, o protocolo apresentado pelo programa Minas Consciente traz ao setor um melhor direcionamento. “O setor precisava de uma coisa mais didática e prática para os hotéis. Esse documento será muito bem-vindo não somente para os hotéis em operação, mas também para os que poderão abrir depois”, disse Sanson. 

Segundo ele, o protocolo poderá ser alterado caso alguma medida se mostre inviável para os hotéis ou pelo surgimento de uma vacina. “Minas Gerais mais uma vez dá um passo importante na segurança, controle da doença e preservação dos empregos na cadeia produtiva”.

Para Maarten Van Sluys, consultor estratégico em Hotelaria & Turismo, a classificação dos hotéis como serviços essenciais é positiva e vai ser bom para Minas Gerais. Ele cita exemplos de cidades como Montes Claros e Tiradentes que estão completamente fechadas. "A gente consegue pensar nua retomada do turismo e lazer nas cidades mineiras, nas estâncias hidrominerais como Monte Verde, que também fechou a cidade recentemente por causa do assédio de viajantes de São Paulo".  

Mas Van Sluys pondera que, por enquanto, a demanda ainda é muito fraca e o pico da pandemia nos mercados emissores com São Paulo e Rio de Janeiro faz com que estejamos numa situação muito ruim neste mês de maio sem previsão de melhoras em junho.

Recomendações

As recomendações do Estado para o setor hoteleiro estão publicadas no site do programa Minas Consciente, desenvolvido pelo governo com o objetivo de uma reativação das atividades econômicas de maneira gradual e planejada.

Entre as orientações estão a ativação de 50% da capacidade total de hospedagem; instalação de barreira de acrílico ou vidro na recepção; solicitação ao hóspede recém-chegado que higienize as mãos no lavabo ou com álcool em gel 70%; oferecimento de máscara ao hóspede que não a estiver usando; recomendar que o próprio cliente leve as malas ao quarto; e orientar que somente um hóspede entre por vez ao elevador.

Há também uma orientação para que o processo de reutilização de água, presente em alguns hotéis, seja suspenso durante a quarentena, e para que o próprio hóspede faça a troca das roupas de cama, caso não tenha nenhuma incapacidade física para isso.

O tradicional café da manhã no salão fica proibido neste momento. As refeições dos hóspedes deverão ser fornecidas exclusivamente por meio do serviço de quarto. O protocolo orienta os hotéis a solicitarem que os hóspedes, após a refeição, lacrem pratos, copos e talheres dentro de um saco plástico, para depois serem colocados do lado de fora do quarto, em carrinhos ou estruturas próprias para isso.

Caso o estabelecimento ofereça o serviço de translado, os veículos devem ser higienizados a cada viagem e deve ser reduzido em no mínimo 50% o número de passageiros por viagem. Além disso, hóspedes com suspeita de Covid-19 ou que tenham tido contato com pessoas diagnosticadas com a doença não poderão ter contato com outros hóspedes, sobretudo aqueles do grupo de risco.

Confira as recomendações que devem ser repassadas aos clientes:

- Utilize máscara, de preferência caseira, durante todo período de permanência fora do quarto;

- Realize a higienização das mãos ao entrar no estabelecimento, acessar balcões de atendimento, ao realizar check in e check out, ao acessar o elevador e ao sair do estabelecimento;

- Evitar rir, conversar, manusear o telefone celular, ou tocar no rosto, nariz, olhos e boca, durante sua permanência no interior do estabelecimento;

- Ao tossir ou espirrar cobrir o nariz e boca com um lenço descartável, descartá-lo imediatamente e realizar higienização das mãos. Caso não tenha disponível um lenço descartável cobrir o nariz e boca com o braço flexionado;

- Evitar o acionamento com as pontas dos dedos, priorizando dorso dos dedos ou instrumento descartável para pressionar os botões.

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, vários hotéis ficaram abertos durante a pandemia, embora com uma redução no quadro de clientes. Um decreto publicado no dia 15 de maio determinou regras para o setor hoteleiro da capital mineira. No check-in, o hóspede deve preencher um formulário onde há uma pergunta se teve contato com alguém com Covid-19 nos últimos 14 dias. Caso a resposta seja positiva, o hotel deverá entrar em contato com a Secretaria Municipal de Saúde e receberá instruções para atender esse hóspede.

Há duas semanas, a rede Tauá anunciou a reativação de seus resorts em Caeté e Araxá, com restrições na capacidade e uso da área externa. 

A reportagem entrou em contato com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis  e aguarda retorno.