A luta contra o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika acaba de ganhar um reforço. Um larvicida criado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é capaz de combater, a baixíssimo custo, larvas e ovos do Aedes aegypti mesmo em águas extremamente sujas. 

Trata-se de uma pastilha feita com tijolo de cerâmica tratado quimicamente e eficaz em locais inóspitos, como bueiros e ralos, onde não há luz ou água limpa. O veneno é fruto de estudos do Departamento de Química do ICEx da instituição e foi testado no campus Saúde. O resultado foi a redução em mais de 80% da população do mosquito. 

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Jadson Belchior, o dispositivo foi criado para atender a demanda do campus, que tem os bueiros como principais focos de proliferação desses vetores. O larvicida é necessário porque o Aedes aegypti já se atualizou e não costuma depositar ovos somente em recipientes com água limpa.

“Nas unidades do campus, os vasinhos de plantas foram reduzidos. O mosquito provavelmente está fora dos prédios e migrando para dentro. Os bueiros acumulam água parada e nutrientes gerados por folhas secas. E é justamente disso que os ovos precisam para virar larvas”, explicou o professor.

Comercialização

O produto ainda não tem previsão de ser comercializado. Empresas que tenham interesse na venda do item podem procurar a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG, para viabilizar a aplicação no mercado. 

"Eu gostaria muito que isso acontecesse. A dengue é um problema grave. É muita gente morrendo. Nós estamos disponíveis para fazer a tecnologia ir para a indústria", afirma o professor Jadson Belchior

De acordo com o estudioso, o sachê com cinco pastilhas teve o custo, em laboratório, de R$ 1. A compra em grande quantidade, no entanto, faria o item custar cerca de R$ 0,20. 

Como funciona

As pastilhas têm como suporte uma cerâmica impregnada com moléculas nocivas à larva, mas com nível de concentração que não faz mal ao ser humano.

O material larvicida é liberado de forma lenta e controlada por cerca de seis a sete semanas depois de entrar em contato com a água, o que inibe o desenvolvimento dos ovos na fase larvária, impedindo-os de eclodir ou matando as possíveis larvas que surgirem.

Veja, abaixo, como se proteger do mosquito no período chuvoso:

dengueClique para ampliar 

Leia mais:

Estado terá laboratório para produzir Aedes com bactéria que pode barrar a dengue
Campanha contra dengue quer chegar 'dentro de casa'; 80% dos focos do mosquito estão nas residências
Agente de endemia tem dez dias para atender solicitação de vistoria de focos de dengue
Medo da dengue provoca disparada de denúncias de criadouros do mosquito em BH