O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, disse nesta terça-feira (22) que se sente “injustiçado” por ter sido denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais por crimes envolvendo candidaturas-laranja do PSL no Estado em 2018, quando estava à frente do diretório estadual do partido. A declaração foi feita à Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado, para qual o ministro mineiro foi convocado, depois de faltar a uma primeira audiência para a qual havia sido convidado.

Marcelo Alvaro Antonio

Ministro foi denunciado por crimes envolvendo candidaturas-laranja do PSL em Minas em 2018

“Não há nenhuma comprovação que eu tivesse envolvimento ou sequer ciência do que estava ocorrendo no partido, onde, segundo a autoridade policial, há indícios de algumas irregularidades”, afirmou Álvaro Antônio. “Me sinto injustiçado nesse indiciamento, mas continuo confiando no trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público. Continuando confiando na Justiça que vai ser o melhor âmbito para provar minha total inocência nesse caso”.

No início de outubro, o Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais denunciou Marcelo Álvaro Antônio e mais 10 pessoas. Segundo a denúncia, foram cometidos os crimes de falsidade ideológica, de apropriação indébita eleitoral e de associação criminosa. O ministro afirmou que os candidatos do partido realmente fizeram campanhas políticas para serem eleitos. 

Investigação

Segundo as investigações, o partido do presidente Jair Bolsonaro teria utilizado candidatas em disputas de fachada para acessar recursos de fundo eleitoral exclusivo para mulheres e parte desse dinheiro teria sido desviado para empresas de pessoas ligadas ao diretório estadual do partido. Os investigadores atribuem ao ministro o papel de articulador do esquema de laranjas. Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece que os partidos políticos destinem no mínimo 30% do total de recursos do Fundo Partidário para o financiamento de campanhas de suas candidatas em campanhas eleitorais.

Sobre a detenção do seu assessor especial no ministério, Mateus Von Rondon Martins, e de outros dois ex-assessores, Roberto Soares e Haissander Souza de Paula, que foram assessores do gabinete do ministro quando este foi deputado federal, entre 2015 e 2019, Marcelo Álvaro Antônio disse que o embasamento dos pedidos das prisões foi para que os três não combinassem depoimentos. 

Com Agência Brasil

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