Surto

Entenda a varíola do macaco, doença que já registra casos nos EUA, Espanha, Portugal e Reino Unido

João Paulo Martins
joao.oliveira@hojeemdia.com.br
19/05/2022 às 19:50.
Atualizado em 19/05/2022 às 19:58
Erupções na pele são características da varíola dos macacos (CDC's Public Health Image Library/Domínio Público)

Erupções na pele são características da varíola dos macacos (CDC's Public Health Image Library/Domínio Público)

O Departamento de Saúde Pública do Estado de Massachusetts, nos EUA, confirmou nesta quinta-feira (19) um caso de infecção por varíola do macaco De acordo com o comunicado do órgão americano, o paciente é um homem adulto que fez viagem recente ao Canadá.

“Os testes iniciais foram concluídos na terça-feira (17) no Laboratório Estadual de Saúde Pública em Jamaica Plain e os testes confirmatórios foram concluídos hoje (nesta sexta) nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA”, informa o comunicado do governo de Massachusetts. O paciente está internado e em boa condição de saúde.

O caso nos EUA surge após Espanha e Portugal relatarem mais de 40 casos suspeitos de varíola do macaco. A infecção viral é rara na Europa e os dois surtos se concentram nas áreas de Madri e Lisboa.

Quem também registrou sete casos este mês foi o Reino Unido.

Entenda a doença
A varíola do macaco é causada por um vírus do gênero ortopoxvírus, o mesmo da varíola comum, que foi erradicada do mundo em 1980, após vacinação. Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (19), a Organização Mundial de Saúde (OMS) explica que a doença é comum na África Central e Ocidental, muitas vezes nas proximidades de florestas tropicais. Os animais hospedeiros do vírus incluem roedores, como esquilos, e primatas não humanos.

A OMS explica que o primeiro caso em humanos foi identificado em 1970, no Congo, em um menino de 9 anos. Desde então, as infecções foram relatadas em 11 países africanos: Benin, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Gabão, Costa do Marfim, Libéria, Nigéria, República do Congo, Serra Leoa e Sudão do Sul.

Em 2003, o primeiro surto de varíola do macaco fora da África ocorreu nos Estados Unidos e estava relacionado ao contato com cães de pradaria adquiridos em pet shops. Esses animais de estimação eram alojados junto de ratos e arganazes (roedores) de Gâmbia. Em maio de 2022, vários casos da doença foram identificados em países não endêmicos. Atualmente, conforme a OMS, estudos estão em andamento para entender melhor a epidemiologia, as fontes de infecção e os padrões de transmissão.

Transmissão
A transmissão da varíola do macaco para os humanos pode ocorrer por contato direto com sangue, fluidos corporais ou lesões cutâneas ou mucosas de animais infectados. O reservatório natural da doença ainda não foi identificado, embora os roedores sejam os mais prováveis. A ingestão de carne mal cozida é outro possível fator de risco, alerta a entidade da ONU.

A transmissão entre humanos está ligada ao contato próximo com secreções, lesões na pele ou objetos contaminados pela pessoa infectada. A transmissão por partículas respiratórias geralmente requer contato próximo e prolongado, o que coloca profissionais de saúde e membros da família em maior risco, revela a OMS no relatório. Ela esclarece ainda que não está claro se a varíola do macaco pode ser transmitida por relação sexual.

Sinais e sintomas
O período de incubação da doença é de seis a 13 dias, mas pode variar de cinco a 21 dias. Conforme a Organização Mundial de Saúde, nos primeiros cinco dias, os sintomas incluem: febre, dor de cabeça intensa, linfadenopatia (inchaço dos gânglios linfáticos), dor nas costas, mialgia (dores musculares) e astenia intensa (falta de energia).

As erupções cutâneas, típicas da varíola do macaco, geralmente começam entre o primeiro e o terceiro dia após o aparecimento da febre. A erupção, que pode conter líquidos, tende a ser mais concentrada na face e nas extremidades do que no tronco, segundo a OMS

Normalmente, a doença some de duas a quatro semanas após os primeiros sintomas. Casos mais graves são comuns em crianças e estão relacionados à extensão da exposição ao vírus, estado de saúde do paciente e natureza das complicações. A taxa de letalidade da varíola do macaco chega a 11% na população em geral e pode ser maior nas crianças pequenas, conforme a entidade da ONU.

Prevenção
Reduzir a exposição ao vírus é a principal estratégia de prevenção da varíola do macaco. Alguns países têm, ou estão desenvolvendo, políticas para oferecer vacina a pessoas que possam estar em risco, como trabalhadores da saúde e de laboratórios.

A OMS diz que estudos confirmaram que a vacinação contra a varíola tradicional demonstra eficácia de cerca de 85% na prevenção da versão do macaco. Apesar de os imunizantes das duas doenças serem distintos, eles são produzidos da mesma forma e geram proteção cruzada contra os ortopoxvírus.

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