Com duas ações coletivas na Justiça, a Defensoria Pública do Estado pede, principalmente, que os moradores de Macacos e Barão de Cocais, evacuados das casas por conta de risco de rompimento de barragens, retornem às residências, desde que a segurança dos locais esteja garantida, ou sejam alocados em imóveis definitivos. Há cerca de oito meses, muitos deles estão vivendo em hotéis, pousadas e casas de parentes.

Segundo o defensor público Antônio Lopes de Carvalho Filho, a ideia é que os atingidos voltem a ter uma vida normal. “E refaçam os vínculos com os vizinhos, o que é muito importante”, disse. Os trâmites nos tribunais, porém, não têm data para desfecho.

barragens

Nayara, Thiago, o filho de 3 anos, dois cães e um hamster estão num quatro de hotel em BH

A empresária Nayara Bratiliere, de 26, já nem tem esperança de que o imbróglio seja resolvido em breve. Justamente no mês em que completava um ano na casa própria em Macacos, em 16 de fevereiro ela e o marido, Thiago Oliveira, de 32, foram comunicados de que deveriam abandonar o espaço, a cerca de dois quilômetros da barragem B3/B4 da Mina Mar Azul, da Vale.

“Estávamos vivendo o sonho de estar no que é nosso, e o destruíram. Saímos da área urbana para criar nosso filho, de 3 anos, em meio à natureza”, diz a mulher. Atualmente, a família, os dois cachorros e um hamster moram em um quarto de hotel na região Centro-Sul de BH. “Agora, acordamos com o barulho de obras. Um caos”.

Nayara destaca que volta para casa, desde que a mineradora apresente estudo da área a ser afetada se a barragem entrar em colapso. O laudo ainda não foi finalizado, frisou a assessoria da companhia.

De acordo com a empresária, na última reunião feita pela Vale com os atingidos, o relato era de que o retorno seria possível após a construção de um muro para conter os rejeitos de minério, previsto para acabar no fim de 2020 – o que não foi confirmado pela empresa.

“Como continuar a vida num quarto de hotel? Pensamos em ter qualidade de vida, mas desde que viemos para cá, meu menino passou a ter crises de rinite e até anemia. Lá, comíamos o que plantávamos na horta”, conta Nayara.

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