Mais de 500 pessoas estão internadas em estado grave nas UTIs exclusivas para Covid-19 em Belo Horizonte. Restam apenas 93 leitos nas redes públicas e privada da capital, o que deixa a ocupação da terapia intensiva em nível vermelho, de alerta máximo

Os dados foram divulgados nessa segunda-feira (8) primeiro dia útil em que começaram a valer as restrições às atividades não essenciais na cidade. Apesar do recuo na flexibilização, muita gente saiu às ruas e parte do comércio não respeitou as medidas de controle para barrar o vírus.

A cidade tem 118.122 casos e as mortes provocadas pela enfermidade somam 2.826, desde o início da pandemia, em março de 2020. Conforme o boletim da PBH, os indicativos da doença seguem altos. A taxa de ocupação dos leitos de UTI chegou a 85,4%.
 
Outro índice que também preocupa é o das vagas nas enfermarias, que passou de 61,9%, na última sexta-feira, para 69,6%. Já o número médio de transmissão por infectado se manteve praticamente estável – 1,16 semana passada e 1,15, ontem. 

Hipercentro
Em meio aos números que reforçam o alerta máximo à população, o movimento nas estações do Move do hipercentro foi mais intenso do que o esperado no primeiro dia útil do recuo na flexibilização do comércio, segundo relatos de funcionários. Um grande número de pessoas se deslocou para a região nessa segunda-feira.

De acordo com a diarista Luiza Alves, de 49 anos, os ônibus estavam cheios. “Muita gente vindo para o Centro para trabalhar. Mesmo com o risco que é, nem todo mundo pode ficar em casa”, afirmou. Apesar dos coletivos lotados, o que atrapalha o distanciamento e pode favorecer o contágio pelo vírus, ela avalia que outras medidas de segurança foram tomadas, como o uso de máscaras.

O vendedor Gabriel Lima, de 21 anos, disse que a movimentação nas ruas estava acima do que ele esperava. “No sábado, tinha muita gente por aqui, mas hoje (ontem) também tem bastante”.

“Lockdown” 
Mesmo com o novo “lockdown” em Belo Horizonte, donos de comércios considerados não essenciais se arriscaram e abriram as portas pela metade. Pelo menos dez dessas lojas foram flagradas pelo Hoje em Dia.

A multa para estabelecimentos que ignoram as regras é R$ 18 mil. Por nota, a PBH informou ter intensificado a fiscalização. Todo o efetivo da Guarda Municipal tem atuado em turnos para dar apoio.

“Os estabelecimentos que não cumprirem com as medidas de combate à Covid-19 estarão sujeitos à interdição e multa”. O Executivo reforça a participação dos moradores. “A população pode auxiliar o poder público denunciando irregularidades nos canais oficiais da Prefeitura (APP PBH, portal de serviços e telefone 156) e ainda conscientizando seus familiares dos riscos da propagação da doença”.

* Com informações de Rosiane Cunha e Luiz Augusto Barros

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