Membros do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte se reúnem nesta quarta-feira (24) para discutir a possibilidade da volta às aulas presenciais na capital mineira em março. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) já repassou os dados referentes às escolas e alunos ao grupo e aguarda a decisão.

Como informou o Hoje em Dia na última semana, o comitê já admitia rever o critério de uso da taxa de novos casos da doença. No ano passado, a  PBH informou ser necessário atingir até 20 novos doentes para 100 mil moradores. No entanto, atualmente, a taxa está em 289,9.

“Essa métrica é quase inalcançável. Então, existe a possibilidade real de flexibilizarmos para uma faixa etária mais jovem, de até mais ou menos 6 anos, já em março. Mas isso vai depender do comportamento nas próximas semanas”, afirmou o médico Estevão Urbano, membro do grupo que analisa a pandemia na capital, na última quinta-feira (18).

Enquanto o martelo não é batido, a Secretaria de Educação já se adiantou e enviou um ofício aos professores para orientar os servidores com algum problema de saúde que possa ser agravado pelo coronavírus a procurarem um médico e solicitarem a emissão de laudo sobre a impossibilidade de trabalho presencial, se for o caso.. 

Segundo a secretaria, trata-se de organização prévia para um eventual retorno às aulas presenciais. Além disso, convocou as equipes do administrativo das escolas municipais a retomarem as atividades presenciais como forma de antecipar a organização e preparação para o possível retorno das aulas.

Na segunda-feira (15), a Prefeitura de Belo Horizonte enviou um questionário para pais de alunos do Ensino Infantil matriculados nas escolas da rede municipal para avaliar a adesão das famílias em um eventual retorno das aulas presenciais. Os números ainda não estão fechados, mas segundo a subsecretária municipal de Educação, Natália Araújo, “muita gente” tem respondido que prefere aguardar.

Protesto contra o retorno

Professores e integrantes de movimentos sociais protestaram, nesta quarta-feira (24), na porta da Prefeitura de BH, contra a volta às aulas presenciais na capital sem ampla vacinação. Os manifestantes fincaram cruzes na calçada em frente à sede da administração municipal.

O ato, liderado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Escolas da Rede Pública de Belo Horizonte (Sind-REDE), foi acompanhado por uma carreata pelo Centro da cidade. Faixas e cartazes com as frases “Vidas em primeiro lugar” e “Aulas são repostas, vidas, não” foram exibidas durante o movimento.

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