Dois credores entraram com pedido de falência da Cervejaria Backer no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) nessa quarta-feira (11). A empresa é investigada pela Polícia Civil após o registro de mortes provocadas por intoxicação de dietilenoglicol e que podem estar relacionadas ao consumo de cervejas da marca.

Caso a Justiça aceite o pedido, a cervejaria terá 15 dias para comprovar o pagamento dos débitos.

Segundo o Fórum Lafayette, as empresas são fundos de investimentos que não tiveram notas promissórias quitadas pelo empresa na data prevista. O valor de uma das notas é de  R$ 356.198,41 e a outra de R$ 52.561,46.

A fábrica da marca, no bairro Olhos D'Água, na região Oeste de Belo Horizonte, está fechada há mais de dois meses e cerca de 150 funcionários já foram demitidos. A Justiça determinou o bloqueio de contas e bens da empresa até o valor de R$ 5 bilhões e que a Backer pague os tratamentos médicos e psicológicos das vítimas e familiares. 

Investigação

A polícia ampliou para 38 o número de casos suspeitos investigados e confirmou a presença de dietilenoglicol em 11 destes pacientes. O inquérito foi aberto em janeiro, depois que vítimas manifestaram a síndrome nefroneural com  sintomas que incluem dores abdominais, náuseas, vômitos, alterações neurológicas e insuficiência renal.

Parceria 

Nesta segunda-feira (9), especialistas do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CBTN) - órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia - começaram a ajudar na investigação, que foi definida como complexa e inédita. Com a parceria, a polícia pretende descobrir se houve vazamento na fábrica da Backer, o que poderia justificar a contaminação das cervejas. Ainda não há prazo para conclusão do inquérito. 

Intoxicação

A fábrica da Backer foi fechada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A pasta também fez diversos exames e constatou substâncias tóxicas em 53 lotes de cervejas da empresa mineira. Todas as bebidas da marca foram retiradas de circulação.

Vítimas

Sete pessoas morreram vítimas da intoxicação por dietilenoglicol em Minas Gerais. A última foi o caminhoneiro Ronaldo Santos que morreu em oito de março. Ele estava internado há 50 dias em um hospital do Barreiro.

Em nota, a Backer informou que estava com bens bloqueados pela Justiça até semana passada e que a prioridade é pagar o tratamento médico das pessoas que foram intoxicadas. Ainda há cerca de 30 casos suspeitos de intoxicação.

"Imediatamente após o desbloqueio parcial dos bens pelo Tribunal de Justiça, ocorrido na última sexta-feira, a Backer iniciou as tratativas com os advogados dos clientes para efetivar o atendimento às suas necessidades. Todos os demais compromissos da empresa estão em segundo plano neste momento", diz o comunicado.