O projeto apresentado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para conter as enchentes na avenida Vilarinho, em Venda Nova, foi alvo de críticas pelo Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça e pelo Instituto Guaicuy SOS Rio das Velhas. Em coletiva à imprensa na manhã desta segunda-feira (11), o órgão, que é vinculado ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, apresentou um estudo sobre a proposta e solicitou uma discussão com a sociedade sobre o assunto.

De acordo Marcus Vinicius Polignano, presidente do subcomitê, o projeto - que foi estruturado por uma empresa de engenharia de maneira voluntária e entregue a PBH -, não pode ser licitado e precisa ser discutido com a sociedade e comitês. O valor para execução das manutenções, estimado em R$ 300 milhões, também foi criticado. 

“Existem outras soluções possíveis, temos que discutir esse projeto. Corremos um sério risco de transferência de projeto, porque o volume de água sairia da Vilarinho e seria jogado na bacia do Ribeirão Isidoro, com impacto no bairro Ribeiro de Abreu, onde já temos enchentes ”, disse. 

Manutenção

Polignano, que é professor da Faculdade de Medicina da UFMG e também preside o projeto Manuelzão, sugere que as bacias dos córregos Lagoinha, Pereira, Nado e Vilarinho passem por manutenção. “Que se faça avaliação de todas as bacias lá existentes. Essas bacias estão abandonadas, viraram ponto de depósito de lixo e esgoto e não conseguem cumprir suas funções”, critica. 

Para impedir que o projeto seja licitado, o subcomitê informou que procurou a prefeitura, com ofício enviado ao gabinete do prefeito Alexandre Kalil (PHS), mas não obteve retorno. O próximo passo, segundo Polignano, é levar o assunto para discussão na Câmara Municipal de Belo Horizonte.  

Ricardo Andrade, presidente do movimento "Eu Vilarinho", acompanhou os estudos e informou que a comunidade do entorno da avenida está insatisfeita com o projeto. “Estamos preocupados com a possível transferência de problema. Mas temos a consciência que a população tem de colaborar evitando a deposição de lixo nos leitos”, conta. 

Procurada, a PBH informou que "para a concepção da solução da obra na Vilarinho foram elaborados estudos hidrológicos e hidráulicos que contemplam as bacias do Nado, Vilarinho e Isidoro, balizando assim a solução proposta". O Executivo municipal ainda esclareceu que um edital para contratação de estudos ambientais necessários para o licenciamento da obra está em andamento. No âmbito ambiental, também será realizada uma audiência pública para a participação da comunidade e interessados em geral", diz a prefeitura.

O projeto 

A carta de obras para a avenida Vilarinho foi apresentada pela PBH em 19 de dezembro de 2018, pouco mais de um mês após o registro de quatro mortes na via durante um temporal que caiu sobre a metrópole na noite de 15 de novembro. 

O pacote de intervenções, previsto para começar em julho deste ano, prevê a construção de dois túneis para desviar a água em excesso do córrego Vilarinho para o córrego Floresta, na nascente do bairro Serra Verde, e ribeirão Isidoro, no Mantiqueira.

Segundo o prefeito Alexandre Kalil, o projeto foi feito de maneira voluntária por uma construtora da capital. As obras são complexas e um detalhamento não foi apresentando nem pela PBH nem pela empresa.

O ponto de encontro dos túneis, com capacidade de escoar até 160 metros cúbicos de água por segundo, será no entroncamento da Vilarinho com a avenida Doutor Álvaro Camargos, perto da estação do metrô. Lá, será criado um reservatório, chamado de piscinão.

A proposta inclui ainda a abertura de um canal para dar vazão ao fluxo de água que será desviado e a construção de um viaduto a ser erguido também próximo ao córrego Floresta, na região do bairro Floramar.

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