Principal cartão-postal de Belo Horizonte, a orla da Pampulha foi invadida por "furões da quarentena". Os gradis instalados no local não foram suficientes para barrar aqueles que queriam se exercitar ou simplesmente admirar a paisagem. Desrespeitando decreto da prefeitura de BH, frequentadores arrancaram as grades para liberar o acesso.

Além de desrespeitar as regras sanitárias de distanciamento social e de se manter em casa, muitos ainda não utilizavam máscaras. O equipamento, que é obrigatório e fundamental para diminuir a transmissão do novo coronavírus, foi ignorado por muita gente.

Nesta quinta-feira (9), a reportagem esteve na Pampulha flagrou diversas atitudes de desobediência. Alguns moradores foram até o ponto turístico para fazer selfie. Outros escolheram a orla para caminhar, correr, pedalar ou fazer outros tipos de exercício físico. Mas, por causa do pico de transmissão do vírus, todas essas atitudes são desaconselháveis por médicos. A falta do equipamento de proteção acentua o perigo da doença.

Nesta semana, o Hoje em Dia tem percorrido espaços públicos da metrópole para mostrar atos de desobediência por parte da população. Na segunda-feira (6), aglomerações foram registradas em uma via do bairro Mangabeiras. Na terça (7), a pista de caminhada do José Cândido da Silveira, no Cidade Nova, chamou a atenção devido à utilização desenfreada de aparelhos de academia ao ar livre. Na quarta (8), praças da região Leste foram palco de atividade física, piquenique, encontro com os amigos e passeio com as crianças.

Perigo

Integrante do Comitê de Combate à Pandemia da Covid-19 em BH, o médico Unaí Tupinambás explica que, em locais com a orla da Pampulha, as pessoas ficam muito próximas umas das outras. "Mesmo sendo local aberto, se uma pessoa tiver assintomática, vai eliminar o vírus. E, correndo, pedalando ou caminhando, a distância segura aumenta para 20 metros", disse.

O infectologista, que é professor da UFMG, reforça que o momento vivido pela capital é crítico e, por isso, cada um deve fazer um esforço para que a situação não saia do controle. "Com mais doentes pela Covid, a taxa de letalidade pode aumentar. E, com a falta de leitos, outras doenças tratáveis podem matar por falta de assistência", lembra.

"Agora o momento é crucial. Não é momento de aglomeração", reforça. Para quem não aguenta ficar sem se exercitar, o especialista orienta que procure locais menos movimentados e horários alternativos. "Faça exercício de madrugada, corra longe das aglomerações e sempre use máscara", ensina.

Segurança

A Orla da Lagoa da Pampulha, além da avenida dos Andradas, praças Lagoa Seca, JK, do Papa, da Assembleia e da Liberdade foram gradeadas para impedir o movimento nos locais. No entanto, as grandes estão sendo arrancadas. 

A Guarda Municipal informou que continua empenhada no combate à aglomeração de pessoas. "Para isso, todo o seu efetivo (composto por 2.064 agentes) está atuando nas ruas de Belo Horizonte, dividido em turnos, desde a segunda quinzena de março", disse em nota.

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