O estudo feito pelo movimento Tarifa Zero, mostrando que a passagem dos ônibus do transporte público de Belo Horizonte deveria custar 15% menos, foi criticado pelo prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS).

O chefe do executivo questionou a credibilidade do estudo e voltou a dizer que a “caixa preta” da BHTrans será aberta. “Não adianta vir com estudozinho achando que conseguem entender como uma coisa complexa como uma tarifa do transporte público funciona”, disse Kalil. 

Na semana passada, Kalil afirmou que a auditoria dos contratos entre as empresas e a BHTrans está finalizada e que, até o fim desta semana, uma entrevista coletiva vai informar os resultados obtidos. “A auditoria é séria e feita por gente gabaritada, com currículo”, acrescentou o prefeito que prometeu mais multas às empresas, caso permaneçam desobedecendo a legislação que obriga a presença do trocador dentro dos coletivos. 

Na segunda-feira (17), Kalil já havia publicado uma mensagem no Twitter prometendo represálias às empresas que operam o transporte na capital. “Se as empresas de ônibus fazem o que querem, vão receber o troco. Belo Horizonte tem governo”, escreveu. No mesmo dia, o Hoje em Dia noticiou que a ausência do cobrador está cada vez mais intensa nos coletivos da capital

Conforme o prefeito, o resultado da auditoria será "surpreendente". “O que a gente pode fazer (a BHTrans) é multar (as empresas), não podemos botar um cobrador dentro dos ônibus. Agora, quando a caixa-preta sair, as coisas vão ser diferentes”, prometeu. 

O estudo 

Nessa terça-feira (18), em coletiva à imprensa, o movimento Tarifa Zero apresentou um estudo indicando que a passagem em Belo Horizonte deveria custar R$3,45, 15% menos do valor de R$4,05, cobrado atualmente. 

Para chegar ao valor, o movimentou utilizou dados viabilizados por meio da Lei de Acesso à Informação. O sistema de cálculo de tarifa  usado foi uma metodologia chamada cálculo ‘Geipot’, que leva em consideração atualizações e recomendações da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP). 

O método era feito em Belo Horizonte de 1996 até 2007. A partir de 2008, ele foi substituído pelo atual contrato de concessão e os reajustes passaram a ser feitos pela aplicação de uma fórmula sobre o preço da passagem do ano anterior, que leva em conta apenas a inflação de cinco insumos de produção.

Segundo o movimento, o cálculo não foi feito com base na fórmula atual da prefeitura, porque o Tarifa Zero a considera injusta. Eles pleiteiam que a prefeitura modifique a forma de cálculo, uma vez que, no médio prazo, o resultado não foi positivo para população.

Conforme o Tarifa Zero, outro ponto é que, mesmo com os aumentos constantes, entre 2008 e 2017, as empresas diminuíram sistematicamente o número de viagens feitas, que passou de 192 milhões para 157 milhões de quilômetros.

Resposta

Em nota enviada ao Hoje em Dia, o Tarifa Zero criticou a fala do prefeito Alexandre Kalil e reforçou a credibilidade do estudo produzido. Conforme o movimento, o sistema de cálculo utilizado é base em algumas cidades do país. "Além disso, o estudo contou com a supervisão e validação de João Luiz da Silva Dias, ex-presidente da BHtrans, da Metrobel e da CBTU. O movimento Tarifa Zero BH protocolou nessa terça (18/12) pedido de reunião com prefeito Alexandre Kalil para apresentação do estudo e aguarda resposta". 

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