Belo Horizonte pode anunciar nesta segunda-feira (17) novo planejamento para a volta às aulas presenciais. Com a queda nos indicadores que avaliam a pandemia na capital – e o avanço da Grande BH para a Onda Vermelha do Minas Consciente –, o tema voltou a ser debatido entre o prefeito Alexandre Kalil e o Comitê de Enfrentamento à Covid-19.

Procurada, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) não quis antecipar detalhes, dizendo que todas as informações serão esclarecidas na entrevista de logo mais, com a presença do prefeito e médicos. 

Em março, a PBH havia indicado a intenção de autorizar o retorno dos estudantes às escolas para o dia 8. Porém, a disparada de casos do coronavírus e lotação dos leitos de UTI levaram a gestão a adiar o plano. A princípio, apenas os menores de 5 anos poderiam frequentar os colégios. Uma pesquisa da Smed, feita em fevereiro, mostrou que 70% das famílias belo-horizontinas com crianças matriculadas em creches queriam as atividades presenciais, conforme mostrou o Hoje em Dia.

O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep) aguarda por mudanças no funcionamento das instituições, que há mais de um ano estão fechadas. “Estamos com esperança de que o prefeito dê a oportunidade principalmente para a educação infantil, que são as crianças pequenas, que os pais não têm com quem deixar muitas vezes, para que possamos reabrir as escolas para quem pode e precisa”, afirmou a presidente Zuleica Reis Ávila.

Outro lado
Em contrapartida, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (Sind-Rede) avalia que este não é o momento para o retorno, principalmente com o aumento do número de casos graves do coronavírus nas crianças – até a última sexta-feira (16), 44 menores de 9 anos perderam a vida por complicações da doença no Estado.

“Não existe um controle real da pandemia. Não há vacinação dos trabalhadores da educação para que a gente possa ter o retorno. Não temos condições seguras para isso no momento que o número de mortos está altíssimo, inclusive de pessoas cada vez mais jovens”, afirmou Vanessa Portugal, diretora do sindicato.

Já o Ministério Público (MP) recomendou, semana passada, a elaboração de um protocolo completo para a retomada gradativa das atividades. O órgão também solicitou a prestação de contas em vários âmbitos, desde a qualificação completa das diretorias das escolas até os critérios adotados para o retorno.

Comércio
Na última semana, Kalil e o grupo de infectologistas discutiram por vários dias uma nova flexibilização na metrópole, que inclui, principalmente, a reabertura do comércio. Mesmo com a decisão do governo do Estado de colocar boa parte dos municípios na fase vermelha do Minas Consciente, cabe à administração de BH determinar, ou não, as mudanças. No entanto, pesa contra o desabastecimento dos remédios do “kit intubação” para pacientes graves internados.

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