Os belo-horizontinos vão deixar o agasalho e o guarda-chuva fora do armário por pelo menos mais oito dias. Março será de muita chuva, mas não como a registrada em janeiro, que arrasou a metrópole. Mesmo assim, há previsão de temporais e a precipitação fina ininterrupta dos últimos dias deixa os moradores em estado de atenção para mais um problema: o de risco de deslizamentos de terra e desabamentos.

Para esta terça-feira (3), a previsão de chuvas continua em todo o Estado, e a estimativa é que as precipitações deem uma trégua somente a partir de domingo (8). 

O clima também será gelado. Nessa segunda-feira (2), a capital teve o dia mais frio do ano, com os termômetros marcando 14,6°C. Por conta do vento, a sensação térmica foi ainda mais baixa.

“Os primeiros dez dias deste mês, no Estado, serão de muita chuva causada pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que provoca uma frente fria”, explica Claudemir de Azevedo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em BH, o acumulado deve chegar a 100 (mm) até o fim de semana. 

Segundo o especialista, a ZCAS é um fenômeno meteorológico comum no período primavera-verão. “E pode provocar até quatro dias consecutivos de precipitações”.

As chuvas ininterruptas deixam a Defesa Civil municipal de sobreaviso para o risco provocado pelo solo cada vez mais encharcado. Deslizamentos e desabamentos podem ocorrer. Um alerta foi emitido pelo órgão.

Na noite de domingo, uma casa desmoronou no bairro Serra, Centro-Sul da metrópole. Não houve feridos. Moradores de imóveis vizinhos tiveram que deixar as edificações.

Interior
A atenção maior está voltada para o interior do Estado. A expectativa é de chuvas fortes até amanhã, conforme comunicado do governo federal. Há possibilidades de enchentes, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra.

O alerta chega ao mesmo tempo em que o Ministério do Desenvolvimento Regional divulgou que, dos 197 municípios que declararam situação de calamidade em razão das tempestades do início do ano, apenas 67 encaminharam à União o formulário para receber a verba emergencial destinada a reparar os estragos.

Desses, somente 35 preencheram corretamente o documento e serão contemplados com valores variados. “Mais de cem cidades sequer impetraram seus projetos”, lamentou o ministro Rogério Marinho, no último sábado, durante encontro com prefeitos em BH.

Além disso

Os temporais dos últimos dias fizeram estragos em cidades mineiras na noite de domingo e madrugada dessa segunda.

Em Ponte Nova, na Zona da Mata, o rio Piranga transbordou. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o risco de inundação no povoado de Massangano levou à retirada de 12 famílias do local. Duas delas foram para abrigos da prefeitura. As outras seguiram para casas de parentes.

Já em Monte Sião, no Sul do Estado, oito famílias estão desalojadas. Um morador teve a casa destruída pela enxurrada e é o único desabrigado no município. Uma ponte sofreu danos e está interditada por tempo indeterminado.

Em Bambuí, no Centro-Oeste mineiro, os atendimentos nas unidades de saúde foram cancelados nessa segunda por conta dos temporais da última sexta-feira. Uma cratera se abriu na avenida João Paulinelli. O Executivo municipal disse que irá recorrer à Defesa Civil Nacional para custear a obra de reparação.

(Com Paulo Henrique Lobato) 

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