Desleixo de boa parte da população, surgimento de novas cepas e doses de vacinas a conta-gotas ajudam a explicar o avanço sem precedentes da Covid-19. Só nos últimos 20 dias, 100 mil mineiros foram contaminados no Estado, que chegou ontem a 901 mil infectados desde o ano passado. Desses, 19.032 não venceram a batalha contra a doença.

TESTE COLETA EXAME COVID

Testes realizados em Minas já comprovaram que mais de 900 mil pessoas contrairam o novo coronavírus

O crescimento exponencial do contágio é sustentado na comparação com o início da pandemia em Minas. O primeiro caso da enfermidade foi atestado em 8 de março de 2020, e a marca de 100 mil doentes chegou em 23 de julho – quatro meses depois.

No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro chamou de "frescura" a reação de brasileiros diante da pandemia, Minas bateu a marca de 900 mil casos de Covid-19. Se o ritmo de transmissão se mantiver, Estado contará o número de doentes em sete dígitos ainda este mês

Para infectologistas envolvidos no combate ao novo coronavírus, os números mais recentes são consequências das férias e do Carnaval que, mesmo atípico, não impediu muita gente de “curtir” passeios, aglomerar na casa dos amigos ou se arriscar em festas clandestinas. 

“As pessoas viajaram, as praias estavam lotadas, e junta com uma cepa que transmite com mais facilidade. O Brasil virou o centro mundial da pandemia”, avalia o médico Unaí Tupinambás, membro do Comitê de Enfrentamento à Covid em BH.

Em 13 de fevereiro, Minas confirmou 804 casos de Covid-19; o número pulou para 901.535 nesta quinta-feira (4)

Crítico em relação à postura das pessoas que insistem em ignorar as medidas de proteção, ele diz que o país vive um “filme de terror”, e a situação no território mineiro não é diferente.

“Em fevereiro, Minas bateu recorde de mortes, a taxa de ocupação tem aumentado em todas as cidades. Ou o Brasil toma uma medida restritiva urgente em todos os estados por pelo menos três semanas e amplia a vacinação, ou vamos ter meses complicados”, afirmou.

Alerta: "ano passado foi um treinamento para o que está por vir", diz o infectologista Unaí Tupinambás

“Treinamento”

Na avaliação do especialista, a população ainda não entendeu o que está por vir, além de ter ficado cada vez mais descompromissada. “Vamos passar por um semestre muito difícil. Ano passado foi um treinamento para o que está por vir”, alerta Tupinambás. 

Em meio ao avanço da pandemia, o governo de Minas tenta adotar ações de controle. A medida extrema mais recente foi o toque de recolher no Noroeste e Triângulo. Segundo o Executivo, o objetivo é “preservar” a rede hospitalar de60 cidades. Por lá, ninguém pode sair de casa das 20h às 5h.

Conforme o Estado, pacientes que necessitam de internação vêm sendo transferidos. Outra medida foi a ampliação de leitos de UTI. Desde março do ano passado, o número dobrou, passando de 2.072 para mais de 4 mil.

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