Os primeiros resultados dos testes da vacina contra a Covid em crianças foram divulgados há cerca de seis meses, quando a farmacêutica Pfizer iniciava os pedidos de autorização mundo afora. De lá pra cá, a Covid fez cada vez mais vítimas. Em Minas, mortes, complicações e casos da doença aumentaram no público infantil, comprovando a urgência da imunização, que começa neste sábado em Belo Horizonte.

No território mineiro, 79 meninos e meninas de 1 a 9 anos morreram. O boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES) não mostra, separadamente, as vidas perdidas do grupo de 5 a 11 anos, alvo da campanha. Uma pesquisa dos cartórios do país indicam 21 óbitos desta faixa etária.

A ação será iniciada com 10,8 mil doses da Pfizer em BH, mas a prefeitura calcula serem necessárias 139 mil. Com a limitação, BH inicia a campanha com quem tem doenças crônicas e deficiências permanentes. 

Pais ou responsáveis devem levar os filhos, exclusivamente, nos postos de saúde (veja endereços e documentos necessários neste aqui. Outros grupos de riscos, como crianças acamadas, serão imunizados a partir de segunda-feira.

Quando mais doses forem disponibilizadas, a expectativa é implantar pontos de aplicação nas escolas municipais. A estratégia visa a evitar que o público infantil fique em contato direto com pacientes que apresentam doenças respiratórias.

Coordenadora de Imunização da SES-MG, Josianne Gusmão reforça a necessidade da vacina pediátrica devido à Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). A grave doença está associada à Covid. Em Minas, foram 174 casos, com três óbitos.

Intervalo
Josianne Gusmão lembra que as crianças deverão tomar duas doses em oito semanas. Além disso, é preciso ficar atento ao calendário vacinal. Será preciso aguardar para receber outras imunizações.

“Uma dúvida que sempre ocorre aos pais é em relação à administração de outras vacinas. É importante esclarecer que deverá ser respeitado o intervalo de 14 dias”, esclarece.

Urgência
Médico há nove anos, Leandro Curi, do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 em Ibirité, na Grande BH, reforça a urgência. “Desde que nascemos, já somos vacinados. Só no primeiro ano de vida, são 20 aplicações. Todos os imunizantes são feitos com muito tempo de pesquisa para que o resultado seja efetivo e seguro”. 

O infectologista também destaca o avanço da variante Ômicron, altamente transmissível. “Começamos a ver que os jovens também morrem muito por essa doença. Além de se infectar, a criança pode carregar o vírus e repassá-lo”, afirma o médico, que também falou sobre a importância da vacinação na volta às aulas. “É fundamental para crianças, professores, funcionários, parentes e todos os envolvidos no dia a dia das aulas, mesmo fora da escola. Estamos falando de uma sala de aula que pode ter 40 pessoas, e elas precisam estar vacinadas”.

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