Após mais uma reunião entre representantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), na tarde desta quinta-feira (23), a tão aguardada reabertura do setor e de todos os segmentos não essenciais ainda não tem uma data definida.

Segundo Paulo Solucci, presidente da Abrasel, o encontro, que aconteceu por videoconferência, foi proveitoso. "A prefeitura se comprometeu em revisar os protocolos apresentados pelas entidades. Eles vão levar em consideração as sugestões do nosso plano e que essa revisão seria apresentada à sociedade até a próxima quarta-feira. Estamos otimistas que a gente possa avançar nesta direção e aguardando com ansiedade esse momento tão importante da nossa retomada".

Já o presidente da CDL, Marcelo Souza e Silva, fez duras críticas ao prefeito Alexandre Kalil (PSD), responsável pelo que chamou de "a maior quarentena do mundo". "Não nos deu nenhuma esperança de reabertura. Não apresentou um cronograma de reabertura dos leitos que ela [prefeitura] mesmo prometeu abrir em maio. Portanto, há mais de dois meses. Não apresentou solução para resolver o problema dos ônibus lotados, sendo que isso é um grande fator de transmissão. 
A prefeitura não tem solução para nada. Portanto, lamentavelmente tivemos uma reunião completamente improdutiva". 

Souza e Silva também lamentou a ausência de Kalil no encontro, que foi realizado com os membros do Comitê de Reabertura da prefeitura e o líder de governo na Câmara, vereador Léo Burguês. "A gente fica até se perguntando qual é o assunto tão importante que impossibilite a presença do prefeito nessa reunião? A incapacidade de dialogar, a insensibilidade com a saúde das pessoas, com as empresas que estão morrendo, com os milhares de trabalhadores que já perderam seus empregos e com as milhares de famílias que estão sem sustento". 

Em nota a Prefeitura de Belo Horizonte informou que debateu a proposta apresentada e que as divergências estão, principalmente, sobre a quantidade de UTIs em uso para que seja dada a autorização de reabertura controlada. "A proposta da Abrasel e da CDL coloca que 80% de ocupação de leitos permitiria uma abertura, já a Prefeitura não acredita que esse seja um índice seguro para a população", explicou o comunicado. 

Ainda de acordo com a PBH, a cidade teve, até o momento, 15 mortos por 100 mil habitantes, sendo os exemplos de flexibilização trazidos pelas entidades o Rio de Janeiro, que tem 115 mortos por 100 mil habitantes, e São Paulo, com 72 mortos por 100 mil habitantes. "Uma nova reunião será agendada para a próxima semana, quando a Prefeitura apresentará uma avaliação da proposta do nível de leitos para liberação da abertura e das fases indicadas pelas entidades".

O plano de retomada do comércio na capital, apresentado pelas entidades, previa os estabelecimentos abertos na próxima segunda-feira (27), o que não deve acontecer. A volta das atividades, ainda de acordo com a proposta, se daria em cinco fases e em horários alternados.

Veja os detalhes do plano:

Fase 1 (27 de julho)

- Praças públicas e escritórios

Fase 2 (3 de agosto)

- Atividades imobiliárias
- Comércio (segunda a sexta, das 10h às 16h, e sábado, de 9h às 13h)
- Bares e restaurantes (das 11h às 20h)
- Concessionárias
- Shopping centers (de terça a sábado, das 12h às 19h)
- Salões de beleza (de terça a sábado, das 11h às 21h, com agendamento)

Fase 3 (17 de agosto)

- Atividades imobiliárias 
- Comércio (de segunda a sexta, das 10h às 18h, e sábado, das 11h às 20h) 
- Bares e restaurantes (das 11h às 21h) 
- Concessionárias
- Shoppings centers (de terça a sábado, das 11h às 20h)
- Salões de beleza (sem restrições de horários, com agendamentos) 
- Academias 
- Clubes

Fase 4 (1º de setembro)

- Atividades imobiliárias 
- Comércio (de segunda a sexta, das 10h às 20h, e sábado e domingo, das 10h às 20h) 
- Bares e restaurantes (das 11h às 22h) 
- Concessionárias 
- Shoppings centers (de terça a sábado, das 10h às 21h)
- Salões de beleza (sem restrições de horários, com agendamentos) 
- Academias 
- Clubes
- Escolas
- Eventos sociais de até 300 pessoas

Fase 5 (Data a definir)

- Atividades imobiliárias 
- Comércio (sem restrição de horário) 
- Bares e restaurantes (sem restrição de horário) 
- Concessionárias 
- Shoppings centers (sem restrição de horário)
- Academias 
- Clubes
- Escolas
- Eventos de grande porte
- Teatro
- Cinema
- Boates
- Casa de shows

Briga na Justiça

Uma decisão judicial, em caráter liminar, publicada nessa segunda-feira (20), permitiu a reabertura de bares e restaurantes da capital, mas foi derrubada nesta quarta-feira (22), após recurso da PBH. Na decisão, o desembargador Gilson Soares Lemes, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), considerou a justificativa do Executivo de que o pleno funcionamento desses estabelecimentos agravaria ainda mais a situação da pandemia na cidade, devido ao aumento do número de casos e de mortes causadas pela Covid-19. 

Número de casos 

De acordo com o último boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SES), divulgado nesta quinta, BH teve 1.049 notificações do novo coronavírus nas últimas 24 horas e contabiliza 16.100 confirmações doença e 417 óbitos.