Das 18 pessoas que morreram na queda de um ônibus de turismo na BR-381, em João Monlevade, na tarde desta sexta-feira (4), apenas três foram identificadas. O motorista do veículo segue desaparecido, mas a Polícia Civil disse estar próxima de confirmar a identidade dele, com base em depoimentos de testemunhas. 

Em entrevista coletiva concedida na tarde deste sábado (5), o superintendente de Polícia Técnico-Científica, Thales Bittencourt de Barcellos, informou que a necropsia de todos os corpos já foi feita. Os peritos constataram que a causa das mortes foi politraumatismo contuso.   

Até o momento, apenas três pessoas foram identificadas, todas através das impressões digitais. Outros métodos, como exames de arcada dentária e DNA, não estão descartados. O tempo para que os resultados fiquem prontos não foi especificado, mas podem demorar até 30 dias.

“A dinâmica do acidente faz com que os objetos das pessoas, inclusive os documentos de identidade, se misturem. Então, é necessário muito cuidado no procedimento de identificação”.

Na manhã deste sábado, os corpos das vítimas - 13 homens e cinco mulheres - estavam no Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte à espera de liberação e reconhecimento por parte das famílias. 

Conforme a Polícia Civil, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) autorizou que o cartório de registro reative um posto avançado dentro do IML de BH para que as declarações de óbito sejam registradas dentro do instituto, evitando assim o deslocamento das famílias na cidade.

Motorista desaparecido 

Segundo o delegado Paulo Tavares, responsável pelo inquérito, o número correto de motoristas do ônibus ainda diverge entre dois e três. No entanto, sabe-se que um deles foi confirmado entre os mortos e outro segue desaparecido. 

“São informações contraditórias. Um motorista, com certeza, faleceu no local. Outro motorista, praticamente, o identificamos, mas temos que ter o cuidado necessário de não imputar essa identificação a uma pessoa, já que, basicamente, pode ser feita por questões testemunhais”, explicou.

Caso o condutor seja localizado, ele pode responder pelo crime de causar acidente e fugir do local, como previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

O acidente

O ônibus vinha de Mata Grande, em Alagoas, com direção a São Paulo. Ao passar por um viaduto no km 350 da BR-381, local conhecido como Ponte Torta, o veículo perdeu tração, iniciou um movimento de ré e começou a descer, já que a pista tem inclinação de quatro graus. 

Sem controle, o ônibus invadiu a pista da esquerda, bateu na mureta da ponte e caiu. O primeiro impacto ocorreu a 26 metros do chão, quando a parte traseira tocou a ribanceira. Depois, o veículo girou e bateu com a parte frontal nos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, da Vale, a 34,5 metros da ponte, e se incendiou.

Antes da queda, seis pessoas, entre elas o motorista, conseguiram saltar do ônibus e se salvar. As causas do acidente, porém, não foram confirmadas pela Polícia Civil. Laudos técnicos da perícia serão necessários para indicar os motivos da ocorrência.

Segundo a perita criminal Daniella Rodrigues Caldas Leite, todos os levantamentos possíveis foram feitos, entre eles fotografias e medições. “Todos os elementos foram coletados. Exames complementares estão sendo realizados, para analisar uma possível falha mecânica no veículo”

O velocímetro do automóvel foi retirado e será analisado, para averiguar se o motorista corria na hora do acidente.

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