Respirar nunca foi tão sinônimo de vida. A Covid-19 afeta o sistema respiratório e evidencia ainda mais a importância de inspirar e expirar corretamente. Ou melhor, de encher e esvaziar os pulmões de forma completa e consciente, como dizem os experts no assunto. Assim, o corpo relaxa, as emoções se equilibram, a imunidade sai fortalecida.

“Acho que a maior contribuição de técnicas de respiração feitas corretamente e de forma estruturada é nos ajudar a manter a mente saudável. O que é fundamental, porque toda mente saudável facilita que o nosso sistema nervoso se comunique com nosso sistema endocrinológico e com o sistema imunológico, nos ajudando a manter a saúde, de maneira integral”, ensina o médico Rodrigo Yacubian Fernandes, do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês (SP).

Integrante do Núcleo de Cuidados Integrativos do mesmo hospital e membro do Colégio Brasileiro de Medicina de Estilo de Vida, o radiologista detalha que qualquer intenção de reduzir a frequência respiratória, ao inspirar e expirar com calma, aumenta a capacidade pulmonar, ajudando os pulmões a expandirem e retraírem plenamente, melhorando a capacidade respiratória e trazendo impactos positivos ao sistema nervoso autônomo.

Yoga
Adepto e estudioso da Kundalini Yoga, Yacubian conta que, desde os primórdios do Yoga, as técnicas de respiração, os pranayamas, são, sobretudo, caminhos para uma respiração consciente.

“Consciente no sentido de prestar atenção à respiração e também de fazer uma respiração completa, tanto na expiração quanto na inspiração”, explica.

Meditar colocando atenção na respiração equilibra corpo, mente e espírito. “No cenário de aflição que estamos vivendo, de ansiedade, incertezas e vulnerabilidade, a meditação ajuda demais, porque, além de prestarmos atenção à respiração, a sugestão é que respiremos de forma lenta, profunda e consciente, observando, sentindo e escutando o som da própria respiração”.

O médico esclarece ainda que, quando respiramos de forma lenta e profunda temos uma resposta do sistema nervoso autônomo parassimpático, que estimula sensações de calma, saciedade, relaxamento. Então, quanto mais consciente e menos apressada a respiração, mais benefícios para todo o organismo e até condições de prevenir distúrbios como ansiedade, insônia e doenças respiratórias.

Além disso
A pandemia de Covid-19 colocou em evidência também um papel fundamental do fisioterapeuta que muitos desconheciam: cuidar do manejo da função pulmonar do paciente internado nas unidades de terapia intensiva.

“Para cada 10 leitos de UTI, são necessários seis fisioterapeutas para manter essa respiração assistida, além de todo o trabalho de preservação de musculatura, de força, de potência”, ressalta o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 4ª Região (Crefito-4), Anderson Coelho.

32 mil fisioterapeutas atuam no Estado, sendo 4.064 deles nas UTIs, segundo dados do Crefito-4. Em todo o Brasil são 305.309 

Como a Covid-19 compromete os pulmões, o fisioterapeuta, explica Coelho, além de controlar o volume de oxigênio, a pressão, o número de ciclos da respiração, modula tudo isso, associado a exercícios para fortalecer a capacidade respiratória do paciente.

Desde 2010, informa o presidente do Crefito-4, a legislação brasileira exige a presença de um profissional de fisioterapia nas equipes de UTI, que devem ser formadas também por um médico e profissionais de enfermagem. Ainda assim, lamenta, há UTIs em Minas que até hoje não dispõem deste profissional nas 24 horas do dia.

“É um profissão que está sendo reconhecida no seu papel, mas desvalorizada no que tange à remuneração”, lamenta.

Leia mais:

Para desintoxicar o corpo e a alma: conheça uma receita de suco para limpar o organismo

Poder natural: conheça ervas que podem auxiliar em situações causadas pela pandemia

Acabe com a dor nas costas: aprenda 7 exercícios simples para fazer em casa e prevenir o problema