Carnaval de BH movimentou R$ 1 bilhão; Kalil comemora o maior 'pulo da história'

Malú Damázio
mdamazio@hojeemdia.com.br
03/03/2017 às 12:41.
Atualizado em 16/11/2021 às 00:47

Cerca de R$ 514 milhões foram movimentados pelos foliões no Carnaval de rua de Belo Horizonte, mas a conta pode chegar a R$ 1 bilhão. O levantamento da Belotur levou em conta o gasto médio das pessoas na festa de sábado (25) a quarta-feira (1º). 

A estimativa do órgão municipal é que a movimentação financeira chegue à casa do bilhão considerando os gastos em bares, restaurantes, hotéis, transporte e venda de ambulantes. De acordo com o presidente da Belotur, Aluizer Malab, os foliões belo-horizontinos gastaram uma média diária de R$ 90, enquanto os turistas que vieram curtir a festa na capital mineira desembolsaram R$ 172 a cada dia. 

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, comemora o sucesso do Carnaval, que concentrou três milhões de foliões nas ruas da cidade. "Nós transformamos uma cidade deserta em Carnavais anteriores em uma cidade que deve ter trazido ao comércio R$ 1 bilhão e teve 3 milhões de pessoas. A cidade triste, do 'não pode nada' ficou para trás. Ano que vem vamos fazer um Carnaval ainda melhor", afirma. 

Para Kalil, este foi o maior salto de público e infraestrutura da festa em todo o país. "Não quero ser megalomaníaco e comparar com Rio de Janeiro ou Salvador. Nós não fizemos o maior do Brasil, mas demos o maior pulo da história. Foi um Carnaval com salto de qualidade: integrado, organizado e planejado", diz.

Problemas

Apesar de comemorar o evento organizado, a administração municipal também enfrentou alguns impasses que, segundo o presidente da Belotur, não ocorrerão em 2018. Nas ruas, haviam somente 10 mil banheiros espalhados para atender todos os 3 milhões de foliões que vieram curtir o Carnaval em Belo Horizonte. A quantidade de pessoas superou as expectativas da prefeitura, que estimava receber 2,4 milhões na cidade.

Aluizer reconheceu que o pequeno número de sanitários foi um dos principais problemas da festa na capital. “Nós tivemos um impasse com um fornecedor que nos deixou na mão, os banheiros também chegavam um pouco atrasados porque precisavam ser higienizados, mas acredito que nós conseguimos manter a cidade limpa após cada desfile”, diz.

Outra falha de planejamento ressaltada pelo presidente da BHTrans, Célio Bouzada, foi a estimativa de público para alguns blocos. Muitas atrações receberam um número bem maior de pessoas do que o esperado. O sucesso da folia, segundo Bouzada, travou o trânsito em alguns pontos da capital.

"O trânsito certamente foi o ponto mais crítico do Carnaval, mas não tivemos problemas com transporte público. Vamos nos preparar para este tipo de situação para estarmos mais planejados", garante. O bloco Funk You, que desfilou na rua Aimorés e receberia um público previsto de 1.500 pessoas atraiu 15 mil foliões, ocupando também as avenidas do Contorno e Getúlio Vargas. 

Segurança

O secretário municipal de Segurança Pública e Prevenção, Cláudio Beato, reconhece que a brusca intervenção da Polícia Militar e da Guarda Municipal durante o tumulto ocorrido nos shows de encerramento da festa na terça-feira (28), na Praça da Estação, poderia ter sido evitada. As forças de segurança usaram bombas de gás de pimenta e de efeito moral para conter uma confusão entre alguns ambulantes e foliões que estavam na praça. 

"O conflito foi controlado, mas não da melhor forma possível. O ideal seria que aquilo não tivesse ocorrido se a gente tivesse agido mais cedo. Quando a gente tem que usar a força é porque falhamos antes. Isso acaba gerando uma série de excessos, que são criticados com razão", avalia. 

No entanto, Beato comemora a redução de cerca de 43% dos crimes violentos durante o feriado, em comparação com o número de 2016. Ano passado foram 874 ocorrências e 499 neste Carnaval. Os roubos caíram pela metade e os homicídios foram reduzidos a 20% do total da última festa.

"É a primeira vez, em quase uma década que os crimes violentos caem em Belo Horizonte. Não houve casos de vandalismo a ônibus", ressaltou. Para o secretário, o resultado se deve a uma ação conjunta de segurança urbana, que integrou órgãos como Guarda Municipal, Polícia Militar, Defesa Civil, Prodabel e outros órgãos.

Números

Ao todo, o Carnaval belo-horizontino atraiu 3 milhões de pessoas para a capital. Ao todo, 300 blocos cadastrados pela Belotur ocuparam as ruas da cidade, junto com quatro escolas de samba, 10 blocos caricatos, e 36 artistas que se apresentaram nos palcos espalhados pelo território. 

O levantamento mostrou que o metrô foi um dos principais transportes utilizados pela população. Ao todo, 800 mil pessoas optaram pelos trilhos para se locomover em Belo Horizonte. Os ônibus Move também tiveram aumento de 32% nas viagens. 

Para garantir a segurança, 2.533 guardas municipais estavam nas ruas durante o feriado. Três postos médicos avançados foram disponibilizados na cidade e atenderam 349 pessoas. O Samu fez 185 atendimentos.

Ao final de cada dia de festa, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) limpava as áreas que concentravam blocos e atrações do evento. A quantidade de lixo recolhida e o efetivo de garis nas ruas dobraram de 2016 para 2017. Este ano os 600 profissionais da limpeza coletaram 840 toneladas de lixo, em comparação às 379 recolhidas no último Carnaval. 

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