Crise generalizada

Estoque de contraste para exames cardiológicos em hospitais públicos em BH está em nível crítico

Clara Mariz
@clara_mariz
22/06/2022 às 21:36.
Atualizado em 22/06/2022 às 21:51
 (Santa Casa/Divulgação)

(Santa Casa/Divulgação)

A execução de exames como tomografias, cateterismos e angioplastias enfrenta  dificuldades desde maio deste ano, na Santa Casa de Belo Horizonte. Há um mês a unidade que atende pelo Sistema Único de Saúde vem sendo impactada pela falta de insumos hospitalares no mercado. O caso mais crítico é o do contraste iodado.

De acordo com a superintendente de Suporte à Saúde da Santa Casa BH, Priscila Bonisson, o desabastecimento do insumo do mercado ocorre porque o principal fornecedor, que é da China, teve que suspender a produção após o último lockdown imposto pela pandemia da Covid-19, no país asiático.

Priscila, afirma que a unidade tem feito tudo o possível para que os impactos não afetem a assistência aos pacientes. “Como nosso consumo é muito alto, temos tentado realizar empréstimos com outros hospitais. No caso de antibióticos e analgésicos, substituímos por medicamentos que temos em nosso estoque, avaliando caso a caso para que os tratamentos não sejam impactados. Também acionamos o poder público, na tentativa de buscar um suporte nesse momento”, pontua. 

Além do contraste, itens como antibióticos, soros, quimioterápicos, analgésicos e a vacina BCG também estão escassos ou são vendidos a preços muito acima do normal. Nesses casos, a Santa Casa BH tem investido recursos extras na aquisição dos produtos, o que tem afetado o seu caixa.

"Eu nunca tinha vivenciado a falta de um item tão essencial e em grande escala", disse a superintendente de Suporte à Saúde da Santa Casa BH, Priscila Bonisson

Atendimento mais demorado 

Segundo Priscila, uma consequência preocupante da falta de insumos é o aumento no tempo de permanência do paciente no hospital. Muitos deles não podem receber alta por estarem à espera de exames e procedimentos.

Com a demora para o recebimento de alta, os leitos acabam ficam ocupados por mais tempo do que o necessário, impactando negativamente a oferta de vagas para o SUS na cidade. A gestora explica que, com isso, aumenta o risco do paciente adquirir outra condição de saúde durante a internação. 

A superintendente diz que não existe previsão de normalização do abastecimento do contraste iodado e que ainda não há um posicionamento dos fabricantes sobre a retomada.

No caso dos demais itens, a Santa Casa BH continuará comprando normalmente, ainda que com preços mais elevados, para que a assistência aos pacientes não seja prejudicada.

Crise generalizada  

Conforme a superintendente de Suporte à Saúde da Santa Casa BH, o hospital chegou a ser acionado pelo Ministério Público devido à demora dos atendimentos e à grande quantidade de pacientes aguardando pelos procedimentos em que o contraste é necessário. Na ocasião, a unidade de saúde informou sobre a falta de insumos e pediu ajuda para a distribuição igualitária do produto. 

Mesmo com o pedido de socorro, Priscila afirma que a Santa Casa não recebeu muita ajuda, já que a crise da falta de contraste iodado é generalizada e tem afetado hospitais em todo o país. “A fabricante chegou a emitir um comunicado informando que o desabastecimento é mundial”, afirma a superintendente.

Ainda em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Saúde informou que no Hospital Metropolitano Odilon Behrens e no Hospital Metropolitano Dr Célio de Castro, os estoques de contraste também estão em nível crítico. O órgão afirmou, ainda, que mantém contato com os hospitais prestadores do SUS e com os fornecedores e não mede esforços para garantir a reposição.

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2022Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por