Subiu para 17 o número de casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol notificados em Minas, sendo 16 pacientes homens e uma mulher. Quatro casos foram confirmados e outros 13 são investigados, segundo novo balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Sáude (SES). Os números foram publicados no mesmo dia em que a Backer foi notificada pelo Ministério da Agricultura a recolher toda sua produção de cerveja desde outubro de 2019 e teve proibida a produção e comercialização de 21 marcas da bebida.

As medidas foram tomadas devido à suspeita é de que as 17 vítimas tenham sido contaminadas ao ingerir a cerveja Belorizontina, da Backer, já que amostras de três lotes da bebida estavam com a substância que teria sido ingerida pelos pacientes, segundo confirmaram os primeiros laudos. Após os resultados da análise pericial realizada pela Polícia Civil, a vigilância sanitária estadual determinou a interdição cautelar dos lotes L1 1348 e L2 1348 da cerveja Backer Belorizontina, na ultima semana. Nesta segunda-feira (13), mais um lote da cerveja também foi interditado, o L2 1354. A proibição nacional também foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Uma das vítimas, um homem, de 55, anos morreu em Juiz de Fora na Zona da Mata.

Investigação

Em 30 de dezembro de 2019, as secretarias Municipal e Estadual de Saúde foram notificadas da ocorrência de um caso de paciente com insuficiência renal aguda e alterações neurológicas de etiologia a esclarecer, internado em hospital particular da capital. 

Um segundo caso, de um paciente internado em Juiz de Fora foi informado no primeiro dia de dezembro e, a partir daí, exames laboratoriais foram solicitados e realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) para pesquisa de doenças transmissíveis, sendo excluídas após análise.

Segundo a SES, as investigações iniciais realizadas pelas equipes da SES-MG, SMSA-BH e Ministério da Saúde (MS) indicaram que os pacientes notificados apresentaram os primeiros sintomas após ingerir a cerveja Belorizontina, da marca Backer. 

Os sintomas clínicos dos pacientes levantaram a hipóteses de intoxicação exógena por Dietilenoglicol (DEG). A presença da substância DEG foi confirmada em amostras de cerveja que foram coletadas nas casas de pacientes e encaminhadas pela vigilância sanitária de Belo Horizonte para a perícia da Polícia Civil. Exames realizados em amostra biológica de quatro pacientes também detectaram a presença do mesmo composto químico.

Backer

Empresa diz ter contratado perícia independente 

A cervejaria Backer afirmou nesta segunda (13), em nota que, neste momento, "mantém foco nos pacientes e em seus familiares", e que "continua colaborando com as investigações". 

A Backer informou também que contratou "perícia independente e aguarda resultados". "Nesse momento, a Backer mantém o foco nos pacientes e em seus familiares. A empresa prestará o suporte necessário, mesmo antes de qualquer conclusão sobre o episódio. Desde já se coloca à disposição para o que eles precisarem", diz a nota.

A cervejaria diz ainda que continua colaborando, sem restrições, com as investigações", e que "segue apurando internamente o que poderia ter ocorrido com os lotes de cerveja apontados pela polícia". "A Backer adianta que, na semana passada, solicitou uma perícia independente e aguarda os resultados. Reitera que, em seu processo produtivo, utiliza, exclusivamente, o agente monoetilenoglicol".

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