As recorrentes ocorrências de enchentes na avenida Vilarinho, na região de Venda Nova, e as obras programadas e já executadas para resolver o problema serão discutidas, em audiência pública, na tarde desta segunda-feira (1), na Câmara Municipal de Belo Horizonte. 

O encontro foi marcado pelo vereador Jorge Santos (PRB). Durante o debate, os parlamentares que integram a Comissão Especial de Estudos das Enchentes da via vão apresentar relatórios de visitas técnicas feitas ao corredor e debater sobre intervenções que possam minimizar os alagamentos. 

Foram convidados à participar da audiência moradores e comerciantes da região da avenida, engenheiros, especialistas e representantes da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mortes e obras

Três pessoas morreram na Vilarinho em 15 de novembro do ano passado. Durante um temporal, que chegou a 100 milímetros de chuva em duas horas, as vítimas ficaram presas em carros e não conseguiram ser resgatadas a tempo. Após a tragédia, o prefeito Alexandre Kalil assumiu a culpa e criou um Comitê Estratégico de Emergência para desenvolver estudos e um planejamento de obras para a via.

Em dezembro de 2018, o pacote de obras para resolver o gargalo na avenida Vilarinho foi apresentado pelo comitê. A carta de intervenções do executivo consiste na construção de dois túneis para desviar a água em excesso do córrego Vilarinho para o córrego Floresta, na nascente do bairro Serra Verde, e ribeirão Isidoro, no Mantiqueira.

Segundo o prefeito Alexandre Kalil, à época, o projeto foi feito de maneira voluntária por uma construtora da capital. As obras são complexas e um detalhamento não foi apresentando pela PBH nem pela empresa. O ponto de encontro dos túneis, com capacidade de escoar até 160 metros cúbicos de água por segundo, será no entroncamento da Vilarinho com a avenida Doutor Álvaro Camargos, perto da estação do metrô. Lá, será criado um reservatório chamado de piscinão.

A proposta ainda inclui um viaduto a ser erguido também próximo ao córrego Floresta, mas no bairro Floramar.Abaixo do elevado, será aberto um canal para que a água desviada do Vilarinho possa ser escoada. O valor total das obras está orçado em R$ 300 milhões. O início das intervenções está marcado para julho deste ano e o término para o segundo semestre de 2019. 

Além disso, a PBH já adota medida paliativas na avenida em caso de chuva forte. Todos os acessos à via são fechados. A instalação de sirenes também é estudada. 

Críticas

As ações programadas pela prefeitura para a Vilarinho, entretanto, desagradaram ambientalistas e representantes de moradores da região. Em 12 de fevereiro o Hoje em Dia noticiou que o Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça e o Instituto Guaicuy SOS Rio das Velhas apresentaram um estudo denunciando que o volume de água que será desviado da avenida vai impactar o bairro Ribeiro de Abreu, na região Nordeste da capital, onde já há inundações.

Um estudo sobre a região feito pelos ambientalistas mostra que as enchentes na avenida são provocadas pelo fluxo d’água dos córregos que deságuam no Vilarinho. Diante disso, a sugestão inicial é a correta manutenção de alguns deles, como Lagoinha, Pereira e Nado. 
“Que se faça a avaliação de todos. Eles estão abandonados, viraram depósito de lixo e esgoto e não conseguem cumprir as próprias funções”, afirma Polignano, que é professor da Faculdade de Medicina da UFMG e também preside o Projeto Manuelzão.

À época, a PBH informou que “para a concepção da solução da obra na Vilarinho foram elaborados estudos hidrológicos e hidráulicos que contemplam as bacias do Nado, Vilarinho e Isidoro, balizando assim o projeto proposto”. A administração municipal esclareceu que um edital para contratar estudos ambientais para o licenciamento da obra está em andamento. 

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