O número de casos notificados da síndrome nefroneural, supostamente provocada por ingestão de cerveja contaminada, já chega a 17 em Minas. A suspeita é de intoxicação por dietilenoglicol (DEG), substância encontrada em amostras da Belorizontina. O rótulo é um dos 21 da cervejaria (clique aqui e confira todos os rótulos) mineira Backer, intimada ontem pelo Ministério da Agricultura a fazer recall de todas as marcas produzidas desde outubro do ano passado. 

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), até agora somente quatro dos 17 pacientes tiveram confirmação da doença, ainda desconhecida, após a realização de exames, o que não permite cravar a relação entre o consumo da bebida e o surgimento de sintomas como insuficiência renal e distúrbios neurológicos.

Inicialmente, o DEG foi identificado pela Polícia Civil em dois lotes da Belorizontina, que começaram a ser recolhidos na semana passada. Uma nova diligência apontou o comprometimento de um novo lote do rótulo, além da presença da toxina em um dos tanques da fábrica – localizada na região Oeste de BH – o que levou o Ministério da Agricultura (Mapa) a determinar a retirada preventiva da Backer do mercado para “preservar a saúde dos consumidores”. 

A empresa já recorreu à Justiça. Em nota, reitera que não faz uso de dietilenoglicol no processo produtivo e que o episódio apurado pelas autoridades limita-se à Belorizontina, “não tendo qualquer relação com os demais rótulos” porque o processo de produção seria independente. 

Na sexta-feira, o Ministério já havia realizado o fechamento cautelar da fábrica, bem como a apreensão de 139 mil litros de cerveja engarrafada e 8.480 litros de chope. Também foram lacrados tanques e demais equipamentos de produção. 

Vale esclarecer que, apesar da determinação do recall, o Ministério reforçou que até o momento só foram encontrados vestígios de substâncias tóxicas na Belorizontina. Demais bebidas da Backer inda estão sendo analisadas. Segundo a pasta, medida é para que “seja descartada a possibilidade de contaminação”. 

Preocupante

O avanço da síndrome preocupa as autoridades de saúde no Estado. Até então, a enfermidade parecia acometer apenas homens. Ontem, porém, foi anunciado o primeiro registro de uma mulher.

A decisão do Ministério ocorreu no mesmo dia em que Polícia Civil encontrou dietilenoglicol e monoetilenoglicol – clique aqui e veja a diferença – em um tanque de resfriamento da fábrica. Não se sabe se o produto teve contato com as cervejas. Nova vistoria deve ser feita hoje. 
Na nota divulgada à imprensa, a Backer confirmou o uso exclusivo do monoetilenoglicol. Empresa faz análises próprias e perícia independente.

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