Perde o clube, o torcedor e toda a população. O rastro de destruição deixado por vândalos durante e após o jogo entre Cruzeiro e Palmeiras, no domingo, não gera prejuízo apenas ao estádio e empresas de ônibus, que sentiram no bolso o resultado das confusões. Até quem precisa de mais policiamento nas ruas e do transporte público sofre com as ações criminosas.

Pelo menos cinco veículos do Move foram depredados e retirados de circulação, prejudicando, só nesta segunda-feira (9), cerca de 2,5 mil usuários. O número, porém, deve aumentar. Até o fechamento desta edição, o sindicato da categoria não tinha fechado o balanço das perdas, e mais coletivos podem ter deixado de rodar.

o Mineirão calcula um rombo de R$ 300 mil. Banheiros destruídos, televisores quebrados e cadeiras danificadas entram na conta. 

O serviço de saúde também foi afetado. Trinta pessoas foram atendidas no posto médico do Gigante da Pampulha. Dessas, oito foram levadas ao Hospital João XXIII.

“O estrago só não foi pior porque medidas foram adotadas, como a separação das (torcidas) organizadas, já se sabia que seria um jogo de risco, mas havia presença ostensiva da PM dentro e fora do estádio”, frisa o sociólogo Luiz Flávio Sapori, especialista em segurança pública.

Menos policiamento

O reforço por causa da partida, porém, reduziu a patrulha em outras regiões de BH. No estádio, entorno e áreas que poderiam ser alvo dos vândalos, como a sede do clube no Barro Preto, região Centro-Sul, foram empenhados policiais dos batalhões de Choque, Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), Operações Especiais (Bope) e Trânsito (BPTran), além da cavalaria e canil.

O número de agentes não foi divulgado. Mas, conforme o comandante do Choque, tenente-coronel Juliano Trant, eles poderiam estar em outros locais. “Fim de ano, pessoas indo às compras. Mesmo que o Choque, por exemplo, não esteja envolvido em eventos de caráter esportivo, ele também é destacado para o policiamento preventivo”.

Mais rigor

O oficial garantiu que, em breve, serão anunciadas medidas mais duras contra torcedores envolvidos em confusões. Desde setembro, quando as duas principais organizadas do Cruzeiro – Máfia Azul e Pavilhão – intensificaram os desentendimentos, a PM, o Ministério Público (MP) e a Polícia Civil conversam sobre o assunto.

Para o sociólogo Luiz Flávio Sapori, é preciso punir. “Identificar e indiciar o maior número de pessoas que fizeram estragos no Mineirão e em outros espaços, públicos e privados. Quanto mais gente punida, melhor”, frisa.

No domingo, ao menos 16 pessoas foram conduzidas para delegacias, informou a Polícia Civil. Dessas, só uma permanecia detida devido a um mandado de prisão em aberto.

As outras assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foram liberadas. Os casos serão analisados pelo Juizado Especial Criminal. 

A proibição de torcidas organizadas envolvidas sistematicamente com casos de violência também é defendida. “Se necessário, o MP tem que pedir a extinção delas, assim como foi pedido em São Paulo”, disse Sapori.

(*) Com Alexandre Simões